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A saúde de nossas abelhas (29/12/2005)
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Até o momento, a apicultura brasileira tem usufruído vantagens que são amplamente relatadas como fatores favoráveis à produção de mel de excelente qualidade: floradas nativas abundantes e diversificadas, clima favorável, a não utilização de produtos químicos nas colméias para controle de doenças e pragas, entre outros. Tudo isso faz com que nosso mel tenha características de sabor, cor e aroma diferenciados, seja livre de resíduos químicos, tendo grande potencial para ser produzido em sistêmico orgânico.

Nesse contexto, a significativa tolerância das abelhas africanizadas a doenças, aliada a condições climáticas desfavoráveis à disseminação das mesmas, têm papel fundamental, pois os problemas sanitários têm ocorrido a níveis baixos, não justificando a aplicação de antibióticos e pesticidas.

Entretanto, para que a apicultura brasileira continue a ter essas vantagens, os apicultores devem ficar atentos à situação sanitária dos apiários, pois existem riscos de introdução de novas doenças e inimigos naturais que possam se tornar fatores limitantes à atividade.

Em muitos países, onde a incidência de problemas sanitários das abelhas é alta, os apicultores costumam sofrer sérios prejuízos tanto pela perda de colônias, quanto pelos gastos adicionais com a compra de produtos químicos, geralmente antibióticos e acaricidas. Não é à toa, portanto, que nas instituições de pesquisa apícola no exterior, grande parte dos trabalhos estão voltados para o estudo de mecanismos de controle de doenças e inimigos naturais das abelhas.

Dentre as doenças que causam maiores prejuízos destaca-se a Cria Pútrida Americana, uma doença bacteriana que tem ocasionado enormes perdas em todo o mundo e cujo controle é extremamente difícil, pois a bactéria causadora (Paenibacillus larvae subsp. larvae) produz esporos que são altamente resistentes ao calor e à desinfecção por diversos produtos químicos. Essa doença ainda não ocorre no Brasil, apesar de já terem sido isolados esporos da bactéria em abelhas e mel de colméias, sem sintomas da doença, no Estado do Rio Grande do Sul. Nesse caso, foram tomadas medidas imediatas para erradicação do patógeno na região, com o apoio do Governo brasileiro.

Entretanto, ainda é grande o risco de introdução da doença, uma vez que já ocorre em países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai e pode ser introduzida por meio de mel e pólen importados contaminados. Nesse caso, a contaminação pode ocorrer se esses produtos forem oferecidos às colônias como alimentação suplementar, pois as larvas são infectadas quando comem alimento contaminado.

Pensando nesse risco, têm sido realizados trabalhos visando o monitoramento sanitário preventivo em algumas regiões brasileiras. No Piauí, por exemplo, no período de 2003 a 2004, foi realizada uma primeira avaliação em amostras de mel coletadas junto a produtores, empresas e associações do Estado, num projeto cooperativo da Embrapa Meio-Norte e da Universidade Federal de Viçosa.

Os locais de coleta das amostras foram selecionados em regiões com maior risco de introdução do patógeno, como as microrregiões e municípios pólos da atividade apícola e limítrofes com os Estados do Ceará e Bahia. Felizmente, em todas as amostras analisadas não foram detectados esporos da bactéria P. larvae subsp. larvae. Pretende-se realizar, ainda, um monitoramento em amostras de mel de entrepostos e estabelecimentos comerciais, procurando avaliar também produtos importados.

No entanto, tão importante quanto a realização desses monitoramentos preventivos é a conscientização do apicultor sobre os potenciais riscos e prejuízos decorrentes da introdução de novas doenças e pragas. Para isso, recomenda-se que os produtores estejam sempre atentos sobre a saúde de suas abelhas, sabendo reconhecer os sinais e anormalidade que indiquem a ocorrência de problemas. Essas informações, assim como medidas preventivas e de controle, podem ser obtidas em cursos de capacitação e publicações específicas, sendo fundamentais para evitar a introdução e disseminação de novas doenças e inimigos naturais no País.

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