A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa( Brasília- DF) recebeu quinta-feira(30) a visita do Ministro de Desenvolvimento Agropecuário do Panamá, Guillermo Salazar, acompanhado do Embaixador do Panamá no Brasil, Juan Bosco Bernal, e da Diretora de Assessoria Legal do Ministério, Liana Zamora.
A visita ao Brasil teve como objetivo a oficialização de um memorando de entendimento de cooperação internacional com a Embrapa, que foi assinado por ele e pelo Diretor-Presidente da Empresa, Sílvio Crestana no Hotel Lake Side, também na capital federal.
Na sexta-feira(1) eles se reunirão com o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, para aprofundar as linhas de pesquisa que serão objeto da cooperação técnica entre os dois países.
A reprodução animal para aumento de produtividade de carne e leite será o principal foco, como explicou o Ministro Salazar, mas a parceria vai se estender também para outras áreas da pesquisa agropecuária, como melhoramento genético de arroz e frutas tropicais, especialmente de caju e manga, entre outras.
Segundo o Embaixador do Panamá no Brasil, Juan Bosco Bernal, o primeiro passo da cooperação entre os dois países será o treinamento de técnicos panamenhos no Brasil e vice-versa.
De acordo com ele, no Panamá, as instituições de pesquisa e conhecimento ficam reunidas em um local denominado “Cidade do Saber”, onde funcionou no passado a maior base militar americana da América Central. Hoje, como explicou o Embaixador, esse espaço reúne 32 organismos internacionais, às margens do Canal do Panamá.
A idéia é discutir com o Ministro da Agricultura Luís Carlos Guedes a possibilidade de instituir um escritório da Embrapa lá, a exemplo do que já acontece nos Estados Unidos, Europa e, mais recentemente, África. “As armas do passado foram transformadas em livros e conhecimento, que são armas muito mais poderosas”, ressaltou o diplomata.
Reprodução animal
Durante a visita à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o Ministro, o Embaixador e a Diretora do Ministério conheceram os laboratórios de biotecnologia da reprodução animal, onde são desenvolvidas pesquisas de ponta em prol da pecuária brasileira, como transferência de embriões; produção de embriões in vitro e clonagem animal.
Essas pesquisas resultaram em inúmeros êxitos para o Brasil, incluindo o nascimento do primeiro clone bovino da América Latina “Vitória da Embrapa”, em 2001, que passa muito bem e já é mãe de dois filhos: “Glória da Embrapa” e do bezerro “Galante”, nascido recentemente. Depois, vieram outros clones bovinos: “Lenda da Embrapa”, em 2003, clonada a partir de um animal morto; e “Porá” e “Potira”, em 2005, clones da raça bovina Junqueira, em alto risco de extinção no Brasil. Eles foram recebidos pela pesquisadora Margot Dode, que falou sobre as pesquisas e os resultados que vêm sendo repassados ao setor produtivo.
Inovação chega mais rápido ao setor produtivo
Um dos interesses do ministro panamenho é a transferência de tecnologia e, por isso, durante a visita à Unidade da Embrapa, ele procurou conhecer melhor as ações desenvolvidas pela Empresa para fazer com que as inovações tecnológicas cheguem mais rápido ao setor produtivo e à sociedade em geral.
Nesse sentido, conversou com o Chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Sérgio Folle, que falou sobre a importância das parcerias com empresas privadas e da incubação de empresas, entre outros instrumentos, que agilizam a transferência das tecnologias da Embrapa no contexto atual.
“A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia tem investido muito na transferência de suas tecnologias para o setor produtivo”, afirmou Folle, lembrando que foi a Unidade pioneira da Embrapa na incubação de empresas, em 2005, com a empresa “Cultivis” para produção de cogumelos comestíveis e medicinais. Além disso, tem investido significativamente na formação de redes com empresas privadas.
Segurança biológica é prioridade para o Panamá
Um dos principais interesses demonstrados pelo Ministro Salazar foi em relação às pesquisas para monitoramento de pragas desenvolvidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Segundo ele, o processo de análise de sementes é muito demorado no Panamá, podendo chegar até dois anos e isso representa um obstáculo para os produtores e exportadores.
Ficou combinado que uma das linhas da cooperação técnica vai enfocar a área de segurança biológica, especialmente para o treinamento e capacitação de técnicos panamenhos na análise de sementes para monitorar a entrada de pragas no país com mais agilidade e rapidez.
Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
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