A proposta de dimensionamento de um sistema de criação, abate e processamento de frango de corte para atender pequenos produtores da Venezuela, é a proposta elaborada pela Embrapa Suínos e Aves (Concórdia/SC).
Esse foi o principal objetivo da
visita de pesquisadores e técnicos da Empresa à Caracas, no final do mês
de junho. O encontro ocorreu por intermédio do Instituto Nacional de
Investigação Agropecuária da Venezuela (INIA) e pelo recém criado
Escritório da Embrapa naquele país.
O sistema proposto pela Embrapa prevê o abate de 25 mil aves por dia e
segue o modelo de criação de frango de corte utilizado em assentamentos
da reforma agrária em Santa Catarina. O fundamento é a agricultura de
base familiar e organizada em cooperativa de trabalho. De acordo com o
técnico da Embrapa Suínos e Aves, Márcio Saatkamp, a proposta foi feita
para ser adaptada ao processo de criação de duas granjas que já estão em
funcionamento no país, porém com problemas operacionais. “Essas granjas
atenderiam a primeira etapa do processo, que é a criação e o
fornecimento das aves aos abatedouros. Isso porque elas já têm estrutura
e precisam apenas adequar o sistema”, explicou.
Outra sugestão da Embrapa é que a gestão do processo seja feita pelos
próprios produtores, organizados em cooperativa. “A premissa desse
sistema é justamente uma produção com otimização de recursos físicos e
financeiros, com distribuição igualitária das sobras”, explicou Márcio.
A intenção da Venezuela, que hoje importa 70% de todo alimento consumido
no país, é diminuir a dependência externa pelo menos na produção de
frango de corte. A proposta elaborada pela Embrapa, para atender o
projeto Incremento da Produção de Aves para Fortalecer a Segurança e
Soberania Alimentar da Venezuela, pode auxiliar na redução de 2% da
importação de carne de frango. Atualmente, o país importa cerca de 100
mil toneladas ao ano e tem uma produção interna de 800 mil toneladas,
tudo para atender um consumo per capita de 35 kg/ano. “O objetivo é, na
verdade, fortalecer a produção de pequenos agricultores e melhorar a
oferta de proteína animal no país”, comentou o chefe de Comunicação e
Negócios da Embrapa Suínos e Aves, Cícero Monticelli. Para atender esse
objetivo, a Venezuela designou ao projeto U$ 10 milhões.
Além do desenvolvimento deste projeto, o INIA pretende melhorar e
ampliar suas pesquisas com aves. Para isso contam com a Embrapa. “Nossa
experiência é muito importante para eles, que nos solicitaram auxílio na
elaboração de estratégias para o reforço de pesquisa na Venezuela”,
explicou Monticelli. O interesse maior é no fornecimento do material
genético de aves coloniais. “A única criação que o país possui é de
frango de corte comercial, importado por grandes empresas. Eles não têm
produção própria”.
Para a Embrapa Suínos e Aves a parceria com o INIA é entendida como uma
grande oportunidade. “É a primeira vez que nossa tecnologia passa a
fronteira do Brasil. Mais interessante ainda é que ela poderá atender um
país latino, que têm como objetivo melhorar e fortalecer a agricultura
de base familiar”, comentou Cícero.
“Estabelecer melhor esta parceria de transferência de tecnologia com
países vizinhos será muito importante para o Brasil. E, para a Embrapa,
um novo momento”, comentou o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Élsio
Figueiredo. “O mundo se abriu e as empresas de tecnologia estão
procurando espaço. O governo acredita na Embrapa e decidiu que podemos
abrir as portas do mercado internacional para outras empresas
brasileiras. Temos que levar nossa experiência de pesquisa e produção
para adaptação em outros lugares”, finalizou ele. A negociação entre a
Venezuela e o Brasil está sendo coordenada pelo INIA e pela Embrapa
Venezuela, escritório da Empresa instalado neste ano em Caracas.
Monalisa Leal Pereira MTb/SC 01139
Embrapa Suínos e Aves
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