Os participantes do segundo dia do “I Seminário Nacional sobre Dinâmica de Florestas” puderam conhecer experiências de todos os biomas brasileiros em monitoramento de florestas por meio de parcelas permanentes. Hoje o país conta com cerca de dez mil parcelas, de diferentes tamanhos e formas.A primeira palestra foi da pesquisadora Yeda Maria Malheiros de Oliveira, da Embrapa Florestas, que trouxe um panorama da situação atual do Sistema Nacional de Parcelas Permanentes – SisPP.
De acordo com a pesquisadora, “o objetivo principal é realizar o monitoramento permanente das florestas naturais e plantadas, localizadas nos diferentes biomas brasileiros”. Esse acompanhamento disponibilizará informações sobre o crescimento e a evolução da floresta, assim como sua reação a perturbações, tais como os efeitos de manejo e de mudanças climáticas. E, no caso de plantações florestais, comportamento diante de tratamentos silviculturais.
O SisPP visa ainda a criação de um Banco de Dados, composto de informações cadastrais das parcelas permanentes. Há projetos também para padronização de procedimentos de instalação e remedições de parcelas permanentes, respeitando-se as realidades dos diferentes biomas brasileiros. Tudo isso irá gerar resultados em diferentes níveis, a serem disponibilizados para diversos públicos que trabalham com o tema.
Para que todos esses projetos sejam possíveis, é necessária a criação, implementação, manutenção e incorporação de redes de monitoramento florestal, viabilizadas por meio de parcerias entre instituições públicas e privadas ligadas ao setor florestal.Essas redes já começaram a ser implantadas em todos os biomas do País e, durante o seminário, representantes de cada rede apresentaram trabalhos realizados e metodologias utilizadas.
Paulo Luiz Contente de Barros, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), apresentou a Redeflor, cuja proposta é gerar e divulgar informações sobre a dinâmica de crescimento e produção da Floresta Amazônica brasileira.
Essa é a proposta também da RedeMAP, que trabalha com os biomas Mata Atlântica e Pampa e foi apresentada por Carlos Roberto Sanquetta, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Estes dois biomas abrangem uma área de 1.350.000 km2 e estão presentes em 17 estados. O projeto da rede que Sanquetta integra gerou um livro, que conta as experiências de monitoramento da Mata Atlântica com parcelas permanentes, além da elaboração de um DVD, que explica como instalar e medir uma parcela.
A Rede de Manejo Florestal da Caatinga – RMFC teve como representante Maria Auxiliadora Gariglio, do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, que trouxe as novidades e objetivos desenvolvidos nesse bioma. Entre elas, está a vontade de consolidar e ampliar a base técnico-científica de experimentação do manejo florestal da caatinga, ampliar a base de pesquisa, comparar aspectos técnicos e econômicos de diferentes práticas e divulgar os resultados obtidos.
Os biomas Cerrado e Pantanal foram apresentados por Alba Valéria Resende, da Universidade de Brasília, que pretende criar, junto com sua rede, uma fonte de dados para o Sistema de Informações Florestais Brasileiro.
Monitoramento na prática
Na parte da tarde, uma nova rodada de apresentações de cada bioma trouxe experiências do dia-a-dia das Redes. Pela Redeflor, João Olegário Pereira de Carvalho, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, trouxe um panorama das parcelas instaladas na Amazônia, que chegam a quase 800. “Mas temos sítios potenciais nas florestas nacionais e reservas extrativistas, onde devemos passar a atuar também”, afirma Olegário. O palestrante comentou também sobre o livro que a Redeflor deve lançar ainda este ano, com estudos de casos em todo o bioma.
Ainda pela Redeflor, Marcus Vinício Neves d’Oliveira, da Embrapa Acre, apresentou um estudo de caso realizado em uma área de manejo empresarial. Segundo Oliveira, “o estudo da dinâmica da floresta da empresa S.T. Manejo de Florestas possibilitou afirmar que utilizar ferramentas de planejamento e estudos de impactos de risco não apenas favorecem o meio ambiente, como também contribuem para o aumento de rendimentos e diminuição dos custos das atividades de exploração florestal”. O objetivo do trabalho é avaliaro sistema de manejo florestal implantado na parceria Embrapa Acre e S.T. Manejo de Florestas Ltda. considerando o planejamento e execução das operações de exploração florestal e a dinâmica da floresta manejada.
Em seguida, o professor Afonso Figueiredo Filho, da Universidade Estadual do Centro Oestre (Unicentro), apresentou o trabalho de monitoramento da dinâmica da Floresta Nacional de Irati (Flona de Irati) pela RedeMAP. Figueiredo ressaltou a importância da continuidade e constância das medições, principalmente nas Flonas e alertou que isso nem sempre tem acontecido.
Enrique Riegelhaupt, consultor da Associação Plantas do Nordeste, explicou o trabalho realizado na Caatinga pela RMFC. Um ponto importante ressaltado pelo palestrante é que o acompanhamento neste bioma é feito em florestas manejadas, pois é nestes locais que se torna necessário identificar as reações e dinâmica da floresta para promover a sustentabilidade.
Pela Rede de Parcelas Permanentes Cerrados e Pantanal, a pesquisadora Giselda Durigan apresentou um estudo de caso realizado em área de Cerrado em Assis/SP, onde foram estudadas as mudanças quando a floresta não sofre mais os diversos impactos das ações produtivas. Para isso, além de análises de fotografias aéreas e imagens de satélite em cronoseqüência, foram feitos monitoramentos de parcelas permanentes, em diferentes fisionomias e com diferentes objetivos. A análise das fotos permitiu identificar espécies vegetais e animais que tendem a desaparecer da região caso as ações produtivas não sejam reduzidas.
Já a instalação e monitoramento das parcelas permanentes estudou a evolução das fisionomias do cerrado, regeneração do sub-bosque do eucalipto, dinâmica da mata ciliar e regeneração do cerrado com exclusão do gado. No final do dia aconteceu uma reunião do Comitê Assessor do SisPP, que tratou da continuidade dos trabalhos em rede, criação da rede de parcelas permanentes em florestas plantadas em âmbito nacional, e o apoio das Redes para produção de informações de caráter estratégico para apoio as políticas públicas.
O evento é promovido pela Embrapa Florestas (Colombo/PR) e pelo Sistema Florestal Brasileiro, com apoio do CNPq, FAO, Programa Nacional de Florestas e Fundação de Amparo à Pesquisa Agropecuária Edmundo Gastal (Fapeg) e colaboração das Redes de Parcelas Permanentes da Mata Atlântica e Pampa - RedeMap, Rede de Parcelas Permanente Cerrados e Pantanal, Rede de Manejo Florestal da Caatinga e GT Monitoramento de Florestas/Redeflor.
Katia Pichelli (MTb 3594 PR)
Colaboração: Ana Pellegrini Costa
Embrapa Florestas
Fones: (41) 3675-5638 / 9977-5787