Desde 2006 a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); a Prefeitura da Estância de Atibaia; a Associação dos Produtores de Morangos e Hortifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região, além de diversos parceiros, trabalham para a adoção da PIMo.
A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e uma das coordenadoras do projeto, Fagoni Calegário, explica que a idéia era levar os produtores a descobrirem, por seus próprios meios, a necessidade de se buscar a sustentabilidade.
Fixação do homem no campo
“Para introduzir o Programa foi
utilizada a macroeducação como proposta de planejamento e comunicação social em
um processo gradativo de sensibilização socioambiental, reconstrução de uma
relação sustentável com o processo produtivo, adequação e habituação para
adoção de boas práticas agrícolas”, diz.
Segundo o Secretário de
Agropecuária e Abastecimento de Atibaia, Humberto Rosente, “essa estratégia
valoriza e fixa o homem no campo, ou melhor, a família, numa região conturbada
e sob forte pressão da especulação imobiliária”. O Programa se torna assim
fundamental para o fortalecimento e sustentabilidade do setor agrícola na
região.
O chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Ariovaldo Luchiari Júnior, destaca a metodologia participativa e integradora direcionada para resultados, usada pelas pesquisadoras Fagoni e Valéria Hammes.
“Para que houvesse a percepção e
conscientização das questões relacionadas ao meio ambiente e à produção
integrada foi utilizada a metodologia ver, julgar e agir com a participação
ativa dos produtores”, explica. “Destaco ainda o comprometimento e dedicação
das pesquisadoras para que a PIMo e suas normas pudessem ser elaboradas e
implantadas com a colaboração de todos os elos da cadeia produtiva e demais
partes interessadas”, salienta.
Cultura utiliza agrotóxicos em demasia
A cultura demanda
grande quantidade de produtos químicos no controle de insetos, ácaros e doenças,
sendo realizadas excessivas aplicações de fungicidas, inseticidas e acaricidas
durante um ciclo, nas mais diferentes regiões produtoras do país. Como
conseqüência, os frutos podem apresentar alto índice de resíduos de
agrotóxicos, colocando em risco a saúde dos consumidores, dos produtores, e dos
trabalhadores rurais, além de proporcionar desequilíbrio ao meio ambiente.
Hoje já se constata a
resistência de alguns nichos de mercado quanto à sanidade do morango, devido ao
grande uso de defensivos agrícolas, principalmente fungicidas durante o
cultivo. Assim, o uso intensivo de agrotóxicos além de resultar num custo de
produção mais elevado pode comprometer a segurança do morango e gerar rejeição
dos consumidores, estigmatizando o produto.
Para Fagoni está cada vez mais difícil produzir morangos
da forma convencional. “Por essas e outras razões, ressalta a pesquisadora, é
preciso apostar na diferenciação, com a adoção de um sistema que evidencia a
utilização das melhores técnicas agronômicas, com respeito ao ambiente, ao
trabalhador rural e ao consumidor”.
A perspectiva inicial de qualquer produtor é um
preço mais elevado. Mas, se unicamente o sobrepreço for a meta, esclarece
Fagoni, o programa pode se enfraquecer. “O que vemos no mercado é que a boa
mercadoria, segura e de alta qualidade, vende mais rapidamente e se torna mais
famosa, mais procurada e naturalmente atinge preços mais elevados”. Neste cenário, a PIMo é uma excelente opção para
o produtor se adequar aos consumidores, aos mercados interno e externo.
Adequação à PIMo
Ao longo de 2007 foram
realizados vários treinamentos técnicos – manejo de doenças, métodos
alternativos de controle de doenças, calibração de pulverizadores, irrigação,
solos e nutrição de plantas, colheita e pós-colheita, manejo integrado de
pragas sobre as melhores técnicas
recomendadas para os temas considerados prioritários. Aos poucos, os produtores
foram se adaptando aos novos conceitos e introduzindo-os em suas lavouras.
“Em 2008 o enfoque será na
validação do sistema nas áreas dos produtores parceiros, tendo uma Unidade
Demonstrativa Central como área modelo para validação, realização de aulas
práticas e demonstrações do sistema para os produtores e sociedade em geral”,
esclarece Fagoni.
Entre outras atividades relevantes, em 11 de abril de 2008, houve na Embrapa Meio Ambiente treinamento de técnicos envolvidos na PIMo para a identificação de doenças do morangueiro, uma vez que o monitoramento de doenças é parte fundamental para o estabelecimento de estratégias adequadas de controle, seguindo os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Cristina Tordin ( MTb 28.499)
Embrapa Meio Ambiente
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