O pesquisador Hong Kil-Moon, diretor do
Instituto de Cooperação Técnica Internacional (ITTC) da Agência de
Desenvolvimento Rural (RDA) da Coréia do Sul, está visitando o Brasil pela
primeira vez nesta semana para definir a abertura de um laboratório da RDA no
país. Durante a visita, ele conheceu três das 41 unidades da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, em Brasília (Cerrados; Hortaliças e Recursos
Genéticos e Biotecnologia), com as quais pretende intensificar a cooperação
técnica.
“A nossa intenção é abrir um laboratório no Brasil e levar para
a Coréia o Labex-Ásia da Embrapa”, destacou Kil-Moon durante encontro com a
chefia da Embrapa Cerrados (Planaltina - DF) no dia 1º de outubro.
O ITTC
é responsável pelos acordos de cooperação internacional da RDA e intercâmbios de
pesquisadores para treinamentos técnicos. “A Embrapa e o RDA possuem muitas
pesquisas de interesse em comum. Estamos identificando em quais áreas cooperar”,
comentou o dirigente do ITTC. Para Bonifácio Magalhães, supervisor de cooperação
bilateral da Embrapa, brasileiros e coreanos possuem afinidades culturais e a
barreira da língua não impede estabelecer uma parceria de sucesso.
Durante a reunião na Embrapa Cerrados, Kil-Moon buscou informações sobre
integração lavoura-pecuária-floresta e fixação biológica de nitrogênio. O
chefe-geral José Robson Sereno e a articuladora internacional Marília Santos
Silva apresentaram as principais linhas de pesquisa da Embrapa Cerrados.
O pesquisador Geraldo Martha Júnior explicou as possibilidades de
intensificar o uso da terra e ganhar produtividade com a integração
lavoura-pecuária. Kil-Moon, pesquisador da área de produção animal, destacou que
a tecnologia é útil tanto para países como a Coréia, que não possuem tantas
terras aráveis e precisam diversificar a produção agropecuária, como para o
Cerrado, onde há abundância de área, mas aproximadamente 30 milhões de hectares
estão degradados. “O manejo inadequado do solo e das pastagens resultou em
grande área de pastagens degradadas no Cerrado”, destacou Martha.
Para
Martha, existem oportunidades nítidas de conciliar, por exemplo, o cultivo de
grãos e a expansão da cana-de-açúcar de modo sustentável. O pesquisador
apresentou diversas possibilidades de rotação e consorciação de culturas. O
pesquisador lembrou que a integração lavoura-pecuária, aplicada corretamente no
Cerrado, permite produzir o ano inteiro sem irrigação. As pesquisas conduzidas
com sorgo ou milho consorciado com brachiaria após a colheita da soja têm
possibilitado ganho de peso do gado e diminuição de riscos ao produtor pela
diversificação da produção.
O dirigente coreano conheceu ainda o
laboratório de microbiologia dos solos da Embrapa Cerrados. Os pesquisadores
Lêda Mendes e Fábio Bueno explicaram os ganhos econômicos do país pela
substituição dos fertilizantes químicos pelos inoculantes no cultivo da soja e
feijão. Bueno destacou ainda as pesquisas em andamento sobre a fixação biológica
de nitrogênio no milho, trigo e cana-de-açúcar.
Conservação de
sementes e reprodução animal
Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, outra Unidade da Embrapa que
visitou no dia 2 de outubro, Moon conheceu o banco genético para conservação de
sementes de importância sócio-econômica que, atualmente, é o maior do Brasil e
conta com mais de 100 mil amostras de aproximadamente 400 sementes preservadas a
20ºC abaixo de zero. Foi recebido pelo pesquisador Marcos Gimenes, que mostrou o
complexo de câmaras frias onde as sementes ficam conservadas, ressaltou a
importância do desenvolvimento de pesquisas para garantir a conservação e o uso
adequado da variabilidade genética.
“Graças às atividades de conservação
desenvolvidas pela Embrapa, povos indígenas e comunidades de pequenos
agricultores puderam plantar novamente sementes tradicionais e, com isso,
resgatar hábitos e tradições milenares”, explicou Gimenes.
Visitou
também o Campo Experimental Sucupira da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, onde são desenvolvidas as pesquisas de biotecnologia da
reprodução animal, como fecundação in vitro e transferência de embriões, entre
outras. Essas pesquisas resultaram no nascimento de quatro clones bovinos,
incluindo o primeiro da América Latina: a fêmea bovina da raça Simental “Vitória
da Embrapa”.
Segundo o coordenador da equipe de reprodução animal,
Rodolfo Rumpf, a parceria entre a Embrapa e a RDA deve começar com o
desenvolvimento de técnicas de criopreservação (congelamento) de embriões e
ovócitos (óvulos) bovinos. “Mas esses será apenas o primeiro ponto a ser
trabalhado, já que a parceria provavelmente englobará outras tecnologias de
reprodução animal”, ressaltou Rumpf.
Gustavo Porpino de Araújo (RN648 JP)
Embrapa Cerrados
Fone:
(61) 3388 9945
Fernanda Diniz
Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia
Fones: (61) 3448-4769; e
3340-3672
fernanda@cenargen.embrapa.br