É pelo município de Castelo do Piauí, a 210 quilômetros ao norte de Teresina, que os pesquisadores Paulo Vilela Cruz, Rafael Boldrini e Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA; e Ranyse Querino, da Embrapa Meio-Norte; iniciam nesta segunda-feira 26, um inventário dos insetos aquáticos no Estado.
Em seguida, o grupo fará coletas nos municípios de Pedro II, Piracuruca e Esperantina, também na região norte do Piauí. Logo depois, os pesquisadores seguem para o Estado do Ceará onde atuarão nos municípios de Viçosa, Tianguá e Ubajara, na serra da Ibiapaba. A equipe começou o trabalho no Nordeste pelos municípios de Carolina e Imperatriz, no Maranhão.
A coleta de dados, que é concentrada na região norte, vai alcançar os estados da Bahia e de Goiás ainda este ano. A ampliação dos trabalhos, segundo Neusa Hamada, coordenadora do projeto, é para incrementar o conhecimento taxonômico – classificação dos seres vivos – dos grupos de insetos aquáticos no País. Esse conhecimento revelará informações sobre a biodiversidade e dará subsídios para estudos ambientais e ecológicos.
Ranyse Querino, que trabalha no projeto desde 2007, atuando nos estados de Roraima e do Amazonas, diz que a preservação dos sistemas aquáticos é de fundamental importância para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais utilizados pelo homem.
Ela explica: “O conhecimento da fauna de insetos aquáticos é indispensável para uma melhor compreensão e preservação desses sistemas, já que eles formam o segundo maior grupo em número e participam de uma série de funções para a manutenção do ambiente, tais como processamento e reciclagem de nutrientes”.
Segundo alguns estudos, a ausência dos insetos aquáticos poderia ter efeitos significativos na redução de peixes e de animais terrestres. E por que isso acontece? De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio-Norte, a maioria desses insetos “tem parte do ciclo de vida aquático enquanto imaturo, e a outra parte do ciclo de vida terrestre, devotada à alimentação”.
Portanto, segundo Ranyse Querino, todo esse conhecimento é necessário que aconteça em etapas, que vão de estudos taxonômicos, passando pelo biológico até chegar no ecológico. “Juntos, eles permitem predizer às suas reações a modificações ambientais, gerando um conhecimento do ambiente”, explica.
Fernando Sinimbu (654 MTb/PI)
Embrapa Meio-Norte (Teresina - Piauí)
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