Demonstrar que é
possível conciliar a produção de alimentos e a de biocombustíveis foi o que
mais chamou a atenção da Comitiva da Tanzânia, formado por técnicos e
representantes do Ministério de Energia e Minerais e do Ministério da
Agricultura que está no Brasil durante a semana de 18 a 22 de outubro.
A comitiva está no País para conhecer a experiência
brasileira na exploração de petróleo e avançar na cooperação bilateral no setor
de biocombustíveis. Na Tanzânia, 40% do PIB da Tanzânia são destinados a
importação de petróleo.
O interesse básico dessa missão é conhecer a fundo os
marcos regulatórios para biocombustíveis e a experiência de zoneamento
agroecológico do Brasil, bem como discutir com especialistas brasileiros alguns
documentos utilizados como base para a decisão da política da Tanzânia para o
setor. Para o Chefe da Delegação e Comissário de Assuntos de Energia e Petróleo
da Tanzânia , Bashir Mrindoko, a oportunidade é fundamental para aproveitar a
experiência do Brasil na área de biocombustíveis. “O Brasil é modelo para nós
principalmente por ser modelo de produção tanto de alimentos quanto de
energia”, avaliou Mrindoko.
Brasil e Tanzânia têm desenvolvido intenso diálogo na
área de energias renováveis, com ênfase nos biocombustíveis. Na quarta-feira
(20), pela manhã, as pesquisas desenvolvidas nessa área foram apresentadas pelo
Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Esdras Sundfeld.
Foi enfatizada a importância de desenvolver matérias-primas com características
tecnológicas adequadas ao processamento industrial, de custo mais baixo, e com
balanço energético favorável, para as várias regiões.
Também foram apresentadas as especificações técnicas e
controle de qualidade de biocombustíveis no Brasil pelo técnico Vinícius
Skrobot, da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP,
que ressaltou a importância de assegurar a qualidade dos produtos para ganhar e
manter a confiança dos consumidores. A Comitiva segue nesta quinta-feira (21),
a programação de visitas na Petrobrás e a ANP, ambas no Rio de Janeiro.
Visita a usina
Na parte da tarde, os tanzanianos foram recebidos pela
equipe da unidade industrial da Granol, em Anápolis/GO, numa articulação com a
União Brasileira do Biodiesel - UBRABIO. A Granol é uma empresa genuinamente
brasileira e tem como produtos óleos vegetais em bruto ou refinado, farelo de
soja moído ou peletizado, além de biodiesel e alguns produtos com especificações
personalizadas. Atualmente, nesta Unidade são produzidos biodiesel a partir de
soja e sebo bovino.
Para mostrar a usina desse biocombustível, o engenheiro químico da Granol, Mateus Gaspar, explicou aos visitantes o processo de produção. “Produzimos cerca de 500 toneladas de biodiesel por dia”, assegurou. Toda produção é vendida para a Petrobrás. A Empresa tem o selo social, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. A adoção do Selo Combustível Social incentiva a compra de matéria-prima de produtores familiares, ou de suas associações e cooperativas. Com a proposta do Selo Social o MDA garante o preço e a inclusão social dos agricultores familiares na cadeia produtiva do biodiesel.
Daniela Garcia Collares (MTb/114/01 RR)
Embrapa Agroenergia
daniela.collares@embrapa.br
Contatos: (61) 3448-15
Estagiário: Leonardo Ferreira

