As tendências do mercado mundial, a evolução no preço dos insumos e as perspectivas climáticas foram os temas abordados no Fórum Nacional do Trigo, realizado nesta terça-feira (13), no Clube Harmonia, em Sarandi. A realização foi da Cotrisal, em parceria com a Cotripal, Cotrijal, Cotrel, Emater/RS-Ascar, Embrapa Trigo, Fepagro.
A previsão da Emater/RS-Ascar é que a área de trigo no RS passe dos 850 mil hectares (ha) do ano passado para 950 mil ha em 2008. No PR, a área deve atingir os 996 mil ha. O crescimento é resultado do bom momento do trigo no mercado mundial, com a frustração de safra nos países do Hemisfério Norte, que concentra 90% da produção mundial.
De acordo com o assistente técnico estadual da
Emater/RS-Ascar, Luiz Ataides Jacobsen, nesta
safra de 2007/08, a produção mundial projetada é
de 606,69 milhões de toneladas, para um consumo de 619,06
milhões (USDA, abril de 2008). Isto tem dilapidado os estoques
de passagem.
O presidente da Emater/RS, Mário Nascimento, convidou os produtores a mais uma vez apostarem na cultura do trigo. Ele salientou que no atual cenário mundial, os grandes exportadores estão exportando menos, os triticultores argentinos estão insatisfeitos com as medidas do governo e tendem a reduzir a área plantada.
Nascimento lembrou ainda que
o mundo adverte para a escassez de alimentos, mesmo reconhecendo o
entrave causado pelo aumento dos preços dos insumos. “Cada
integrante da cadeia tritícola está sendo convocado
para fazer a sua parte e instituições como a Emater
estão preparadas para dar respaldo técnico aos
assistidos e consolidar o trigo como uma das mais importantes
culturas de inverno do país”, disse Nascimento.
Para o consultor da Serra Morena Corretora, Walter Von Muhlen Filho, os preços devem se adequar com a recuperação dos países produtores até o momento da colheita da safra brasileira, mas garante que a queda não deve ser muito representativa, mantendo a estabilidade do mercado e a segurança do produtor.
Sementes de qualidade e clima favorável
O
Rio Grande do Sul conta com disponibilidade de semente certificada
para semeadura de trigo em 60% da área estimada. O preço
subiu R$ 0,15 em relação ao do ano passado, atingindo
R$ 0,90 o quilo da semente. Segundo o presidente da Associação
dos Produtores de Sementes e Mudas no RS (Apassul), Eduardo Loureiro
da Silva, a semente representa de 7 a 8% do custo de implantação
da lavoura: “A semente é o insumo mais barato e com o melhor
retorno do investimento”. Mesmo assim, Loureiro lembra que 40% da
área de trigo devem ser semeadas com semente própria,
guardada pelo produtor no ano anterior.
O
custo dos fertilizantes compromete mais a lavoura, representando
quase 18% do investimento. De acordo com a Fecoagro, em agosto de
1994 eram necessários 25 sacos de trigo para pagar uma
tonelada de adubo. Hoje são necessários 42 sacos. O
aumento no preço dos fertilizantes é justificado pelo
presidente do Sindicato das Indústrias de Fertilizantes no RS
e representante da Anda (Associação Nacional de
Defensivos Agrícolas), Torvaldo Mazzola Filho, pela
supervalorização nos custos da matéria-prima
importada pela indústria de agroquímicos e, obviamente,
pelo aumento no consumo dos produtores brasileiros – o Brasil é
o 4º maior mercado consumidor de fertilizantes – que passaram
a investir mais na lavoura.
Apesar
do aumento nos custos, o clima promete colaborar com o triticultor. O
ano de 2008 prevê o fenômeno La Niña, que
prejudicou as culturas de verão com a seca, e vai beneficiar
as culturas de inverno com a pouco incidência de chuvas na
primavera, evitando problemas como germinação na
espiga, doenças fúngicas e queda na qualidade de pH.
“Vai ter geada, sempre presente no inverno gaúcho, mas
deverá ser localizada e de pouca intensidade”, explica o
agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha.
Avaliação positiva do evento
Na avaliação do diretor técnico da Emater/RS, Paulo Silva, que na oportunidade esteve representando o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, João Carlos Machado, o fórum é uma oportunidade para produtores e técnicos terem conhecimentos de onde insere a cultura do trigo no contexto gaúcho, brasileiro e mundial do agronegócio, além de ser uma oportunidade de conhecimento das inovações e das tecnologias disponíveis.
“Mas o papel mais importante desse fórum,
que já está na quarta edição, é o
de servir para a discussão. Assim, se consegue identificar os
pontos de estrangulamento, que não são somente técnicos
nem políticos, mas que são de uma conjuntura. Aqui se
despertam processos que facilitam a vida do agricultor e trazem mais
renda para essa atividade”, avaliou Silva.
“ A qualidade técnica dos palestrantes, o empenho de nossos colaboradores, as parcerias e a participação dos produtores garantiram o sucesso desse Fórum”, comemorou o presidente da Cotrisal, Walter Vontobel. Ele afirmou estar satisfeito com o resultado do evento, com a possibilidade de propiciar aos associados um momento de debate e discussão sobre a cultura do trigo.
Joseani M. Antunes ( MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo
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