Doença devastadora à citricultura em diferentes continentes, capaz de provocar perdas irreparáveis nos pomares onde se instala, o citros huanglongbing (HLB) ou greening como também é conhecida, está na mira de pesquisadores brasileiros, europeus e norte-americanos.
Um projeto articulado pelo Labex Estados Unidos, laboratório virtual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no exterior, começa a ser desenhado para dar início às pesquisas destinadas a atuar em três pontos fundamentais no combate à greening, que no Brasil eliminou quase 3 milhões de plantas no estado de São Paulo desde 2004.
Os cientistas querem aumentar a capacidade de diagnóstico da doença e vetor no campo, identificar novas estratégias que permitam o manejo do HLB. Também vão buscar abordagens ainda não estudadas com profundidade como, por exemplo, o controle biológico do vetor (inseto), a aplicação de feromônios para atração de inimigos naturais, entre outros pontos.
Em fase de elaboração, o projeto não tem fronteiras.
Ou seja: será realizado simultaneamente pelo Labex EUA, Labex Europa, Centro Francês de Cooperação Internacional em Pesquisa Agropecuária para o Desenvolvimento (CIRAD), Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (ARS/USDA), Centro de Citricultura do Instituto Agronômico (IAC), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas-BA) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). A estas instituições, serão envolvidas outras (brasileiras e americanas) que já fazem parte das redes de pesquisa de cada uma delas – como é o caso da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ESALQ.
“Um ponto interessante e extremamente positivo desse trabalho é que pela primeira vez os dois Labex vão atuar juntos”, observa o coordenador do Labex Europa, Luís Fernando Vieira. Afinal, o que os cientistas almejam é buscar o mais rápido possível soluções para a ameaça que a doença representa à citricultura.
O estado norte-americano da Flórida é o que mais danos sofreu por conta do HLB. “Estados como Texas, Arizona e Califórnia vêem com preocupação a falta de prognósticos de controle para o huanglongbing e, neste momento, se valem de medidas legais para evitar a entrada de plantas de outras regiões e de sistemas de monitoramento e alerta para identificação da doença”, relata o coordenador do Labex EUA, Félix França.
Embora o projeto ainda não tenha sido fechado, pois será avaliado no Sistema Embrapa de Gestão (SEG), a estimativa é de que as ações de curto e médio prazos exijam recursos de custeio da ordem de R$ 1,3 milhão, informa Félix França.
Segundo ele haverá apoio dos Labex para intercâmbio de pesquisadores das instituições envolvidas e também à realização de workshops sobre o tema. O ARS e demais contrapartes da Embrapa no estudo também contribuirão recebendo os cientistas brasileiros para treinamento de curta e longa duração (quando for o caso) em áreas do conhecimento como entomologia, fitopatologia, biologia molecular, entre outras.
O que é a doença
O huanglongbing (greening) – ou doença do dragão amarelo – é causada por uma bactéria chamada Candidatus Liberibacter spp (que até o momento não foi isolada e, por isso, dificulta os estudos).
A transmissão pode ocorrer por meio dos insetos vetores, enquanto a infestação em uma nova área chega em mudas infectadas ou pelos próprios insetos. Como a doença não tem cura, os produtores precisam erradicar todas as plantas, sendo que a técnica da poda nada resolve.
Ainda não há fonte de resistência identificada em laranja ou outras espécies de citros. Assim, laranjas, tangerinas e tangelos são considerados mais suscetíveis, enquanto pomelos e limões são mais resistentes e limas mais tolerantes.
Deva Rodrigues (MTb/RS5297)
Contato: (61) 3448-4568
E-mail: deva.rodrigues@embrapa.br