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Países tropicais têm ingredientes certos para combustíveis limpos (21/11/2008)
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Não há dúvidas e nenhuma novidade: os países tropicais têm nas mãos os ingredientes certos para vencer o desafio de produzir combustíveis limpos. Com sol, plantas adequadas e solo podem investir neste setor.

Mas como então bloquear o protecionismo agrícola dos países desenvolvidos e construir o mercado dos biocombustíveis, transformando esse produto em commodities ambiental? A interrogação foi o principal foco da Plenária V “Biocombustíveis e Mercado Internacional, último debate público da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, encerrada na tarde de quarta-feira (19), em São Paulo.

Para os debatedores da plenária a maior barreira àqueles que já produzem combustíveis limpos, e aos que desejam estrear e se manter no segmento são vencer regras impostas pelos países desenvolvidos, colocadas em formato de normas na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Precisamos de abertura, política coletiva e justiça, pois os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos são prejudiciais”, argumentou a relatora do debate, Lakshmi Puri.

“Precisamos operar em conjunto, com critérios de sustentabilidade e, principalmente, considerar a proteção ambiental tão importante quanto suprimento”, propôs a especialista indiana aos participantes da Plenária V, mediada pelo ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues.

Experiência replicada

Para Lakshmi Puri o importante é trabalhar para classificar os biocombustíveis como commodities ambientais. Na opinião dela a experiência brasileira com o bioetanol deve ser replicada a outros países. “É um milagre em termos de estratégia nunca visto”, elogiou Puri.

Secretária-geral adjunta da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), Puri fez duas provocações que representam 100% das dúvidas dos produtores e governantes: Como a Europa vê a hipótese da produção de biocombustíveis na África? Como enxerga o Brasil como ator principal nesta relação Sul-Sul, incentivando os países africanos nessa investida?

Além da indiana Lakshmi Puri, a Plenária V contou com a participação dos seguintes especialistas: Charlotte Opal, chefe do Secretariado, mesa Redonda de Biocombustíveis Sustentáveis da escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça); Corrado Clini, diretor-geral de Pesquisa Ambiental e Desenvolvimento do Ministério do Meio Ambiente da Itália; Manoel José Santos, presidente da Confederação nacional dos Trabalhadores na Agricultura; Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar; Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de pesquisa Energética; Nick Goodall, presidente da Agência britânica de Combustíveis Renováveis (Reino Unido).

A exemplo dos relatórios das outras quatro plenárias da Conferência, realizada entre os dias 17 e 19, o material sobre da Plenária V “Biocombustíveis e Mercado Internacional” também será levado ao Segmento Intergovernamental, que se reúne hoje (dia 20) e amanhã, também em São Paulo. Esse grupo de trabalho vai “costurar” os relatórios e elaborar um documento sobre os temas do evento.


Deva Rodrigues (MTb/RS 5297)
Telefone (61) 3448-4015
Assessoria de Comunicação Social

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