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Brasil e Coréia ampliam cooperação técnica (06/10/2008)
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Claudio Bezerra
Brasil e Coréia ampliam cooperação técnica

O pesquisador Hong Kil-Moon, diretor do Instituto de Cooperação Técnica Internacional (ITTC) da Agência de Desenvolvimento Rural (RDA) da Coréia do Sul, está visitando o Brasil pela primeira vez nesta semana para definir a abertura de um laboratório da RDA no país. Durante a visita, ele conheceu três das 41 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, em Brasília (Cerrados; Hortaliças e Recursos Genéticos e Biotecnologia), com as quais pretende intensificar a cooperação técnica.

“A nossa intenção é abrir um laboratório no Brasil e levar para a Coréia o Labex-Ásia da Embrapa”, destacou Kil-Moon durante encontro com a chefia da Embrapa Cerrados (Planaltina - DF) no dia 1º de outubro.

O ITTC é responsável pelos acordos de cooperação internacional da RDA e intercâmbios de pesquisadores para treinamentos técnicos. “A Embrapa e o RDA possuem muitas pesquisas de interesse em comum. Estamos identificando em quais áreas cooperar”, comentou o dirigente do ITTC. Para Bonifácio Magalhães, supervisor de cooperação bilateral da Embrapa, brasileiros e coreanos possuem afinidades culturais e a barreira da língua não impede estabelecer uma parceria de sucesso.

Durante a reunião na Embrapa Cerrados, Kil-Moon buscou informações sobre integração lavoura-pecuária-floresta e fixação biológica de nitrogênio. O chefe-geral José Robson Sereno e a articuladora internacional Marília Santos Silva apresentaram as principais linhas de pesquisa da Embrapa Cerrados.

O pesquisador Geraldo Martha Júnior explicou as possibilidades de intensificar o uso da terra e ganhar produtividade com a integração lavoura-pecuária. Kil-Moon, pesquisador da área de produção animal, destacou que a tecnologia é útil tanto para países como a Coréia, que não possuem tantas terras aráveis e precisam diversificar a produção agropecuária, como para o Cerrado, onde há abundância de área, mas aproximadamente 30 milhões de hectares estão degradados. “O manejo inadequado do solo e das pastagens resultou em grande área de pastagens degradadas no Cerrado”, destacou Martha.

Para Martha, existem oportunidades nítidas de conciliar, por exemplo, o cultivo de grãos e a expansão da cana-de-açúcar de modo sustentável. O pesquisador apresentou diversas possibilidades de rotação e consorciação de culturas. O pesquisador lembrou que a integração lavoura-pecuária, aplicada corretamente no Cerrado, permite produzir o ano inteiro sem irrigação. As pesquisas conduzidas com sorgo ou milho consorciado com brachiaria após a colheita da soja têm possibilitado ganho de peso do gado e diminuição de riscos ao produtor pela diversificação da produção.

O dirigente coreano conheceu ainda o laboratório de microbiologia dos solos da Embrapa Cerrados. Os pesquisadores Lêda Mendes e Fábio Bueno explicaram os ganhos econômicos do país pela substituição dos fertilizantes químicos pelos inoculantes no cultivo da soja e feijão. Bueno destacou ainda as pesquisas em andamento sobre a fixação biológica de nitrogênio no milho, trigo e cana-de-açúcar.

Conservação de sementes e reprodução animal

Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, outra Unidade da Embrapa que visitou no dia 2 de outubro, Moon conheceu o banco genético para conservação de sementes de importância sócio-econômica que, atualmente, é o maior do Brasil e conta com mais de 100 mil amostras de aproximadamente 400 sementes preservadas a 20ºC abaixo de zero. Foi recebido pelo pesquisador Marcos Gimenes, que mostrou o complexo de câmaras frias onde as sementes ficam conservadas, ressaltou a importância do desenvolvimento de pesquisas para garantir a conservação e o uso adequado da variabilidade genética.

“Graças às atividades de conservação desenvolvidas pela Embrapa, povos indígenas e comunidades de pequenos agricultores puderam plantar novamente sementes tradicionais e, com isso, resgatar hábitos e tradições milenares”, explicou Gimenes.

Visitou também o Campo Experimental Sucupira da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, onde são desenvolvidas as pesquisas de biotecnologia da reprodução animal, como fecundação in vitro e transferência de embriões, entre outras. Essas pesquisas resultaram no nascimento de quatro clones bovinos, incluindo o primeiro da América Latina: a fêmea bovina da raça Simental “Vitória da Embrapa”.

Segundo o coordenador da equipe de reprodução animal, Rodolfo Rumpf, a parceria entre a Embrapa e a RDA deve começar com o desenvolvimento de técnicas de criopreservação (congelamento) de embriões e ovócitos (óvulos) bovinos. “Mas esses será apenas o primeiro ponto a ser trabalhado, já que a parceria provavelmente englobará outras tecnologias de reprodução animal”, ressaltou Rumpf.

Gustavo Porpino de Araújo (RN648 JP)
Embrapa Cerrados
Fone: (61) 3388 9945

Fernanda Diniz 
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Fones: (61) 3448-4769; e 3340-3672
 fernanda@cenargen.embrapa.br

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