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Projeto inovador cria unidades agroecológicas em assentamentos de Sergipe (08/10/2008)
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Foto Embrapa
Projeto inovador cria unidades agroecológicas em assentamentos de Sergipe

Mais de 700 famílias assentadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Estado de Sergipe e técnicos extensionistas irão, em breve, protagonizar uma experiência inédita para a reforma agrária no Brasil. Distribuídas em 20 projetos de assentamento (PA´s) espalhados por todo o Estado, tais atores locais serão capacitados na implantação de unidades de experimentação agroecológica.

Resultado de uma parceria do Incra com a Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju – SE), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o projeto tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de sistemas de produção agroecológicos em áreas de reforma agrária, contribuindo para a produção de alimentos mais saudáveis e a geração de renda para as famílias. “É uma experiência importante, porque já existe um mercado para esses produtos orgânicos. E com esse trabalho podemos estimular a organização produtiva das nossas famílias assentadas e também impulsionar a geração de renda, melhorando as condições de vida nos assentamentos”, analisou Luiz Fernando Ganassali, perito agrário do Incra.

O projeto, coordenado pelo pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Amaury da Silva dos Santos, tem início programado para os próximos meses e prevê ações em diferentes etapas, que serão implementadas ao longo dos próximos três anos. Este projeto terá investimento pelo Incra de cerca de R$ 310 mil para o seu desenvolvimento.

Na primeira etapa, pesquisadores da Embrapa visitarão os PA´s para a construção de um diagnóstico participativo. Para essa ação, os próprios assentados irão contribuir com informações e conhecimentos, auxiliando na análise da situação das áreas e na elaboração de projetos específicos para a instalação de cada unidade experimental. O protagonismo dos agricultores assentados será garantido pela participação em todas as etapas da pesquisa, definindo inclusive o que deverá ser avaliado em cada experimentação. Este processo ocorrerá em constante diálogo com os conhecimentos dos pesquisadores e demais técnicos envolvidos no projeto.

O enfoque participativo também irá nortear as demais etapas do projeto, que serão estruturadas a partir da capacitação de técnicos de assistência técnica e dos próprios agricultores assentados, além da articulação destes últimos numa rede de agricultores experimentadores. “Não se trata de um projeto de mera transferência de tecnologia. O que nós queremos é caracterizar a realidade sócio-econômica e ambiental dos assentamentos e, fundamentados nessas informações, experimentar tecnologias agroecológicas no intuito de construirmos uma proposta de trabalho com os próprios assentados”, afirmou Fernando Fleury Curado, pesquisador da Embrapa integrado ao projeto.

Segundo ele, o trabalho, que terá o acompanhamento constante dos pesquisadores, visa também favorecer a articulação entre os agricultores assentados nos diferentes assentamentos em torno das técnicas produtivas e da experimentação propriamente dita. “Queremos criar com esse projeto um espaço para que o assentado mostre que também é um experimentador e que se articule no processo de experimentação. Queremos que ele se sinta responsável pelo processo de experimentação e que demonstre sua capacidade de desenvolver trabalhos diferenciados e de boa qualidade”, afirmou Curado.

Para a implantação das unidades experimentais, foram selecionados assentamentos em que as famílias irão acessar pela primeira vez o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ou mesmo renegociar dívidas do Pronaf. Além da implantação das unidades experimentais e da capacitação dos agricultores, o projeto também buscará vias para a comercialização dos produtos, abarcando todas as etapas do processo produtivo. “Nossa idéia é apoiar as famílias, apresentando caminhos para a melhor aplicação dos recursos do Pronaf e auxiliando no escoamento dos seus produtos”, observou Ganassali.


Contatos:

Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra-SE
Jornalista responsável: Daniel Pereira
79 4009-1524/1504

Gislene Alencar - Jornalista - DRT 05653/MG
Embrapa Tabuleiros Costeiros
gislenealencar@cpatc.embrapa.br
Telefone 79 4009-1381

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