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Seminário aborda biossegurança ambiental e alimentar de plantas transgênicas (09/10/2008)
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Foto Embrapa
Seminário aborda biossegurança ambiental e alimentar de plantas transgênicas

Alunos do 1º ano do curso de Nutrição da Faculdade de Jaguariúna - FAJ  irão participar em 4 de novembro de 2008 de seminário na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), onde serão apresentadas informações sobre biossegurança ambiental e alimentar de plantas transgênicas e seus derivados.

O objetivo é fixar o aprendizado recebido na faculdade sobre esse tipo de alimentos, além de oferecer oportunidades de interação com alunos e estagiários que vivenciam as técnicas laboratoriais envolvidas em alguns aspectos a serem abordados no seminário.

A Embrapa Meio Ambiente lidera o projeto Rede de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados – BioSeg, para estudar o potencial de risco de cinco produtos geneticamente modificados da Embrapa - batata resistente ao vírus Y da batata, feijão resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro, mamão resistente ao vírus da mancha anelar do mamoeiro, algodão resistente a insetos, soja tolerante a herbicidas, além de gerar informações científicas dos potenciais riscos sobre o ambiente e a biodiversidade.

Os estudos giraram em torno dos aspectos ambientais e alimentares regulamentados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio e também foram discutidas adequações às condições ambientais e culturais do país sob as quais as plantas são desenvolvidas, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e líder do BioSeg, Deise Capalbo.

Transgênicos

De acordo com ela, a inserção de novas características em plantas por meio de técnicas moleculares de transformação do DNA, além de representar um avanço no conhecimento, poderá oferecer também várias oportunidades benéficas. Deise cita o aumento de produtividade, o menor uso de agrotóxicos e a maior tolerância ao manuseio durante o transporte do campo à mesa do consumidor, entre outras.

Entretanto, explica ela, tais benefícios não podem ser explicados de um modo simplista. “O benefício é identificado por comparação. Assim, no caso de uma planta que sofre o ataque de um inseto e para cujo controle não há método eficiente, se ela for comparada à mesma planta, porém transgênica, o fato desta última resistir ao ataque já beneficiará a comparação, pois não havendo ataque haverá certamente maior produtividade”, enfatiza. “Porém, se houver um método de controle do inseto, o benefício poderia ser favorável à transgenia pelo fato de não usar agrotóxico; ou poderia haver indicativo de benefício em favor de uma metodologia não transgênica se o procedimento de controle do inseto não exigisse produto químico ou algo danoso ao meio ambiente ou ao homem”, completa. “Enfim, a análise é sempre relativa a algum outro método de controle ou a não existência deste”.

“Portanto, tendo isso em mente, podemos dizer que a importância do conhecimento da transgenia e a possibilidade que esse conhecimento traz ao homem é algo ainda não totalmente desvendado, apesar de haver vários exemplos de benefícios”, continua Deise.

Sobre os reflexos no meio ambiente, a pesquisadora esclarece que até o momento, eles não se mostraram danosos. São solicitados estudos prévios e alguns posteriores à plantação comercial, abordando possíveis impactos sobre outras plantas que podem cruzar com a planta transgênica ou ainda impactos sobre outros organismos que não são o alvo da transgenia. Conforme Deise, uma planta que é resistente ao ataque de uma lagarta deve ser estudada para se verificar se há alteração na população de outras lagartas, outros insetos ou animais que vivem habitualmente nesse ambiente, além de organismos e microrganismos de solo, todos eles não-alvo da tecnologia que “mata” a lagarta alvo.

“Existem algumas especulações sobre a possibilidade de desenvolvimento de resistência de insetos às novas moléculas, e desenvolvimento de espécies com características invasivas, mas nenhum desses artigos conseguiu comprovar tais fatos. Não devemos desprezá-los, mas não temos como comprová-los tampouco”, alerta Deise.

“Sempre que falamos de benefícios dos transgênicos, precisamos lembrar que deve-se estar atento para eventuais malefícios, e por isso, tanto estudo é feito sobre eles. Nesse sentido, se verificarmos quanto trabalho já se desenvolve ao redor do tema da segurança ou risco, verificamos que as plantas transgênicas foram mais comprovadamente avaliadas quanto a sua segurança do que qualquer outra planta modificada por métodos convencionais, ou mesmo do que qualquer agrotóxico em uso na agricultura”, explica a pesquisadora.

Os transgênicos liberados no Brasil, que podem chegar ao consumo humano, de forma direta ou indireta, são o milho Guardian resistente a insetos; o milho Libertylink, resistente ao herbicida glufosinato de amônio utilizado para combater ervas daninhas; a soja tolerante ao herbicida glifosato e; algodão Bt resistente a insetos.

Além destes, foram liberadas vacinas para controle de doenças em suínos – circovirose e em cães – cinomose, hepatite, adenovirose, parvovirose, parainfluenza, coronavirose e leptospirose e também algumas enzimas.

Principais resultados do Bioseg

Em algodão os estudos de fluxo de genes identificaram a necessidade de barreiras ao fluxo de pólen entre variedades cultivadas, espécies silvestres e variedades locais. Foi também desenvolvida metodologia para selecionar os principais grupos de organismos não alvos, com redução de tempo de experimentação e ganhos de representatividade ecológica. A metodologia de estudo do destino no solo da proteína inseticida produzida pela planta, também desenvolvida pelo BioSeg, vem mostrando resultados inéditos de segurança.

Para batata a transformação genética não alterou o fenótipo das plantas transgênicas. Mantiveram-se as características da cultivar em relação à suscetibilidade às principais pragas e não houve expressão da proteína codificada. A resistência ao vírus Y da batata foi confirmada em três anos de estudos de campo.

O feijoeiro transgênico foi superior à linhagem parental quanto à incidência do vírus. Além disso, as características genéticas e fenotípicas das linhagens transgênica e convencional foram mantidas. Outras características - estudo em andamento em projeto aprovado recentemente pela Embrapa - indicam similaridade entre as linhagens, mas carecem de confirmação. Não houve alteração significativa na micro e na macrobiota do solo, nem na população de artrópodes do ambiente em campo.

Quanto ao mamão foi estabelecido um teste similar ao de determinação de paternidade em plantas para medição das distâncias, nas quais o fluxo gênico pode ocorrer. Além de um banco de dados de características dos frutos do mamoeiro não cultivado, não transgênico, que dará informações complementares aos dados estabelecidos para segurança alimentar.

Para a soja foi possível definir um conjunto mínimo de parâmetros para avaliação da análise de risco ambiental. A análise global dos resultados permitirá obter dados conclusivos sobre possíveis diferenças entre a soja convencional e a transgênica, em relação à simbiose com Bradyrhizobium e à microbiota do solo, fatores importantes para a fixação biológica de nitrogênio nesta cultura.


Cristina Tordin, MTb 28.499
Embrapa Meio Ambiente
Contatos:(19) 3311.2608
cris@cnpma.embrapa.br

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