A importância econômica da inoculação das sementes de soja no país é
evidenciada pela economia quanto ao uso de fertilizantes nitrogenados. A
adubação com uréia, por exemplo, resultaria em um gasto em torno de US$
6 bilhões, se forem considerados os cerca de 21 milhões de hectares
cultivados na última safra. Além disso, deve-se considerar os graves
problemas ambientais provocados pelo efeito potencialmente poluidor do
nitrato lixiviado no solo, resultante do uso indiscriminado de
fertilizantes nitrogenados.
Em Mato Grosso do Sul, os resultados obtidos no período das últimas dez
safras mostram que a reinoculação (inoculação em cada safra) pode
proporcionar ganhos no rendimento de grãos da soja - tanto no sistema
convencional como no sistema plantio direto - podendo alcançar aumento
de até 22% em produtividade.
Isso reforça a recomendação da prática, que
deve ser feita a cada cultivo, mesmo em áreas tradicionalmente
cultivadas com soja. Em outros estados do País, os incrementos no
rendimento também têm sido evidentes, variando entre 4,5% e 8%.
“O produtor deve usar o inoculante sempre, em todas as safras, mesmo
porque é um insumo de baixo custo e o seu uso traz retornos econômicos
significativos para o agricultor. Mesmo em solos cultivados
anteriormente com soja, a reinoculação resulta em aumentos na nodulação
e no rendimento de grãos”, alerta o pesquisador da Embrapa Agropecuária
Oeste (Dourados, MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, Fábio Martins Mercante.
Processo
Inoculação é o processo no qual são colocados rizóbios (bactérias
fixadoras de nitrogênio atmosférico) em contato com as sementes.
Inoculante é o veículo que contém as bactérias.
Freqüentemente surgem dúvidas sobre a necessidade de aplicação de
fertilizantes nitrogenados na cultura da soja - como complementação ao
uso de inoculante - para atingir rendimentos elevados.
“Ensaios conduzidos nas principais regiões produtoras de soja do país
demonstram que a aplicação de fertilizantes nitrogenados, mesmo como
dose inicial de arranque, não resulta em aumentos significativos no
rendimento de grãos da cultura”, finaliza o pesquisador Fábio Mercante.
A cultura da soja apresenta uma elevada demanda de N devido aos altos
teores de proteínas (cerca de 40%) encontrados nos grãos. Estima-se que
sejam necessários em torno de 240 kg de N para a produção de três mil
kg/ha de soja. As fontes de N capazes de suprir tal demanda
restringem-se aos fertilizantes nitrogenados e ao fornecimento pelo
processo de fixação biológica de nitrogênio atmosférico (N2).
Considerando o baixo aproveitamento dos fertilizantes nitrogenados pelas
plantas (em torno de 50%) seria necessária uma quantidade estimada em
480 kg de N para a obtenção da produtividade citada. Essa quantidade de
N seria equivalente a 1.067 kg de uréia, o que tornaria a cultura da
soja economicamente inviável no Brasil.
Kadijah Suleiman (MTb RJ 22729JP)
Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados (MS)
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