A iniciativa partiu da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em parceria com a ILSI – International Life Sciences, que é uma fundação internacional sem fins lucrativos voltada para o desenvolvimento da ciência, e tem como objetivo harmonizar as avaliações de biossegurança no mundo na área de agricultura, além de possibilitar a troca de experiências positivas e negativas dos países.
O primeiro passo foi dado com a realização do
Workshop sobre Avaliação do Risco Ambiental, no período de 18 a 20 de agosto, em
Brasília, que reuniu 60 participantes de empresas públicas e privadas nacionais
e internacionais, incluindo o diretor executivo da Embrapa, José Geraldo Eugênio
de França, o presidente da CTNBio, Dr. Walter Colli, além de outros membros da
Comissão, e representantes de grupos internacionais que atuam na avaliação de
riscos.
O evento também contou com a participação das principais instituições
públicas e empresas de biotecnologia brasileiras e internacionais: Alelyx,
Canavialis, Monsanto, Ridesa, CTC, Bayer, Syngenta, Pioneer, Basf, UFRJ, USP,
UNICAMP, UNB, UCB e UFAL.
Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, Eduardo Romano, que coordenou o evento junto com a
pesquisadora Fátima Grossi, o objetivo é uniformizar os procedimentos de análise
de riscos da liberação de culturas transgênicas, fazendo com que todos os países
sigam as mesmas normas. “A uniformização normativa e a troca de experiências
entre países evitarão análises desnecessárias para uma correta avaliação de
riscos, além de possibilitar uma definição harmônica de testes necessários”,
explica o pesquisador.
Romano lembra que o evento foi realizado em um
momento estratégico para o Brasil em termos de biossegurança de OGMs, já que foi
aprovada em março deste ano pela CTNBio a Resolução Normativa (RN) nº 5, que
dispõe sobre normas para liberação comercial de Organismos Geneticamente
Modificados e seus derivados. Após a publicação desta normativa, o Brasil
redefiniu que informações são necessárias para a liberação comercial de
variedades GM. Segundo ele, essa Resolução trouxe muitos avanços à questão da
avaliação de riscos em relação à Lei de Biossegurança no Brasil.
Pontos positivos da liberação de transgênicos
A nova resolução aproximou o Brasil dos demais países em termos de
informações necessárias para liberação comercial de plantas transgênicas. Um dos
pontos que merecem destaque, na visão do pesquisador, é a flexibilização
proporcionada pela RN 5, especialmente quanto ao fato de considerar os impactos
ambientais positivos da liberação de culturas transgênicas no meio ambiente.
“Antes, a legislação nacional considerava apenas os potenciais riscos, agora na
tomada de decisão pela liberação de um produto GM também são considerados os
impactos positivos da variedade. Por exemplo, variedades que reduzem a aplicação
de pesticidas trazem efeitos ambientais positivos e agora a legislação nacional
considera estes benefícios.”, ressalta Romano.
Apesar de divulgado na
literatura científica , esse benefício não estava explícito de forma
adequada na Lei. A partir da introdução da nova normatização, ela terá que ser
mensurada nos experimentos de campo.
“É fundamental que o Brasil se
alinhe em termos de avaliação de riscos com os demais países que comercializam
plantas transgênicas, de forma a que todos falem a mesma língua. A sociedade de
forma geral só tem a lucrar com essa interação internacional”, comenta o
pesquisador.
Durante o Workshop em Brasília, foram feitas experiências
piloto entre os representantes dos seis países presentes com estudos de caso da
introdução de duas culturas transgênicas: algodão e cana-de-açúcar, que são
muito importantes para o Brasil. Romano lembra que foi dada atenção especial à
cana-de-açúcar, já que além de praticamente não ter dados de avaliação de
riscos, é um dos plantios transgênicos que o Brasil vai sair na
frente.
Segundo ele, os resultados do workshop estão sendo compilados em
conjunto entre todos os países e vão gerar uma publicação que ficará disponível
para consulta pública pela sociedade nas páginas eletrônicas da CTNBio (www.ctnbio.gov.br) e da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia (www.cenargen.embrapa.br).
Além disso, outras atividades já estão previstas para dar continuidade
no processo de harmonização de biossegurança, como reuniões entre os
pesquisadores participantes para formulação de artigos científicos e a ampliação
das instituições participantes que trabalham com biotecnologia no Brasil e no
exterior.
Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia
Contatos: (61) 3448-4769 e
3340-3672