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Minicursos finalizam programação do VII CBSAF (29/06/2009)
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Fabiano Bastos
Minicursos finalizam programação do VII CBSAF

O segredo está na própria terra. É ela quem ensina a dinâmica de crescimento e adaptação de cada espécie, assim como as possibilidades de convivência de cada uma com o ambiente compartilhado. Com explicações simples como essa, dezenas de agricultores, estudantes e profissionais de engenharia florestal puderam compreender a essência da filosofia necessária à implantação dos sistemas agroflorestais.

No último dia do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (CBSAF), em Luziânia (GO), sete minicursos sobre o assunto foram realizados, sob a orientação de pesquisadores da Embrapa, especialistas da Emater/DF, organizações não-governamentais e instituições de ensino superior de Goiás, Roraima, Minas Gerais e do Amazonas.

Em uma das turmas mais concorridas, a de implantação de sistemas agroflorestais, o que deu o tom da aula foi a troca de experiências. Coordenado pelo analista ambiental José Fernando Rebelo, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade do IBAMA - Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Alto Paraíso/GO), o minicurso reuniu participantes de várias regiões do Brasil, como o agricultor Júlio de Oliveira Filho, de Mossoró (RN), e a agrônoma Maíra Le Moal, de Patrocínio Paulista (SP).

“Implantamos um SAF em plena caatinga, em lugar onde praticamente não chove e está dando certo”, garantiu ele, que, junto com oito famílias, cuida de uma área experimental de SAF de 2.500 metros quadrados a 350 quilômetros da capital potiguar. “Muita gente disse que a gente estava ‘endoidando’”, divertia-se, lembrando a falta de credibilidade dos produtores tradicionais. Para a engenheira agrônoma Maíra Le Moal, o objetivo de participar do curso foi “corrigir erros”. “Vim em busca de orientação porque da última vez que tentei implantar um SAF não deu certo. Cometi vários erros”, comentou. Além da propriedade da família, Maíra trabalha com assentados da reforma agrária e com os quais pretende trabalhar com o sistema agroflorestal.

Coquetel de sementes

Segundo o analista ambiental José Fernando, tudo começa com o chamado ‘coquetel de sementes’, a partir do qual as espécies vão germinar em estratos diferentes do solo. “É aí que acontece o controle das plantas que vão ser manejadas e as podas viram adubo orgânico”, explicou. “O SAF acelera a sucessão natural das espécies”.

Um dos instrumentos que vão facilitar a vida de agricultores que usam os sistemas agroflorestais, mas que ainda está em fase de elaboração, é a ‘tabela da vida’, cujo objetivo será ajudar na produção em SAFs, a partir das características de cada bioma. “Esse é um gargalo para que, quando solucionado, vai reduzir os conflitos e acabar com muitas dúvidas”, concluiu o analista ambiental.

Aproveitamento na alimentação

Tudo o que é produzido nos Safs pode ser aproveitado na alimentação. No minicurso Culinária Agroflorestal, ministrado pela instrutora Renate Götsch, que viveu durante anos na floresta, começou a usar banana verde da terra, jatobá e cacau na cozinha preparando pratos para a família com o que era produzido nos sistemas agroflorestais. No curso ela elaborou Mousse de Jatobá, Maioneseban (creme de banana verde), Jatoban (vitamina) e Moqueca  de banana da terra madura.

Os alunos inscritos no curso chegaram com a expectativa de aproveitar o alimento produzido no sistema agrofloresta. A professora Graça Lins da Universidade Federal do Pará trabalha com mulheres de quintais agroflorestais, participou do curso para aprender e multiplicar a experiência com elas e, em casa proporcionar uma alimentação saudável para seus familiares.

Já para a apicultura Aparecida, que tem experiência na produção culinária com produtos oriundos do mel, tem interesse em aliar a experiência com a utilização de frutas na alimentação para aproveitar melhor os alimentos.

Atualmente os pratos elaborados por Renata fazem sucesso na OCA Brasil em Alto Paraíso/GO. Com os filhos criados e a separação do companheiro, Renata está realizando o sonho de morar em uma comunidade.

Outros cursos

Além dos minicursos de implantação de SAFs e de culinária agroflorestal, foram realizados no último dia de congresso os de modelagem e simulação de sistemas de análise, coordenado pelo pesquisador da Embrapa Marcelo Francia; o de criação e manejo sustentável de animais silvestres em florestas e biomas nativos, ministrado pelo zootecnista da Zoo Assessoria (Belo Horizonte/MG); e o de manejo de fauna silvestre em agroecossistemas amazônicos, pela professora da Universidade Federal da Amazônia, Ana Sílvia Sardinha.


Elizabete Antunes(MTb 744/DF)
Embrapa Assessoria de Comunicação Social
Contatos: (61) 3448-4284 – elizabete.antunes@embrapa.br

Kátia Marsicano (03546/DF)
Embrapa Informação Tecnológica
Contatos: (61) 3448-4590 – katia@sct.embrapa.br

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