Alguns dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros, como a mandioca, a batata-doce, o arroz, o feijão, o milho e o trigo, já apresentam em sua composição os benefícios dos resultados dos programas de melhoramento em busca de uma melhor qualidade nutricional.
A cultivar de mandioca Jari, por exemplo, lançada em
junho por duas Unidades da Embrapa –
Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas-BA) e
Tabuleiros Costeiros (Aracaju – SE) – apresenta maiores teores
de betacaroteno (precursor da vitamina A), micronutriente importante
para a manutenção da saúde dos olhos.
Para a cultura do milho, pesquisadores da
Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) estão investindo na
avaliação de uma linhagem com até quatro vezes mais carotenóides
precursores da vitamina A que os encontrados em cultivares comuns.
Esta linhagem, segundo o pesquisador Paulo Evaristo de Oliveira
Guimarães, apresenta valores médios de pró-vitamina A da ordem de
7,6 microgramas/grama, enquanto as 20% melhores espigas apresentaram
valores médios de 9,2 microgramas/grama nas últimas avaliações.
"Estes valores são, respectivamente, cerca de 3,5 e 4,2 vezes
maiores que os encontrados em milho de grãos amarelos", relata o
pesquisador.
Segundo ele, se as avaliações quanto aos desempenhos agronômico e
nutricional forem satisfatórios, esta cultivar poderá ser lançada a
partir de 2010. Mesmo apresentando altos teores de pró-vitamina A –
as melhores espigas atingiram valores de 9,2 microgramas/grama – o
milho, para ser considerado pelos pesquisadores como biofortificado,
precisa apresentar teores de, no mínimo, 15 microgramas/grama. “O
material obtido dos cruzamentos na Embrapa Milho e Sorgo já possui
cerca de 10ug destas substâncias por grama do grão. Estamos
trabalhando para alcançarmos a quantidade alvo”, completa a
cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes.
De acordo com ela, caso se obtenha sucesso na fase de
desenvolvimento de uma cultivar biofortificada, começa então a fase
de realização de testes biológicos. “Até 2010, o método in vitro
para a avaliação da biodisponibilidade de carotenóides precursores
da pró-vitamina A deverá ser implementado em nossos laboratórios”,
antecipa. Após essa etapa, a eficiência da cultivar biofortificada
em disponibilizar a vitamina A é testada em animais, quando um maior
volume da nova cultivar tiver sido disponibilizado pela equipe de
melhoramento genético. A previsão para o início dos testes de
biodisponibilidade em animais, segundo a cientista, é 2011.
Transgenia e biologia molecular podem
acelerar processo
O processo para se chegar a uma cultivar biofortificada exige tempo
e investimentos. A cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes
conta que a seleção de materiais precursoras da linhagem de milho
com altos teores de pró-vitamina A teve início em 2004. “Somente nos
anos de 2007 e 2008 tivemos avanço nos conteúdos de carotenóides
através dos cruzamentos”, conta Cristina. Ainda segundo ela, a
transgenia e a utilização da biologia molecular são ferramentas que
podem antecipar os resultados. “Há possibilidade de obtermos ganhos
no valor nutritivo ou tecnológico do milho e de outros cereais
através da transgenia. O arroz dourado é um exemplo desse processo”,
explica.
Sobre a utilização das ferramentas de biologia molecular para
reduzir o tempo de desenvolvimento de uma cultivar, Maria Cristina
antecipa que marcadores moleculares estão sendo testados na Embrapa
Milho e Sorgo para a implementação da seleção assistida no processo
de geração da cultivar de milho com alto conteúdo de carotenóide
pró-vitamina A.
Entenda o programa de biofortificação
O desenvolvimento de cultivares com altos teores de vitaminas, ferro
e zinco, nutrientes indispensáveis na alimentação dos seres humanos
por combaterem a anemia, prevenirem a cegueira e conferirem maior
resistência às doenças, compõem um programa de pesquisa da
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) denominada
biofortificação de produtos agrícolas.
O programa, também conhecido como
HarvestPlus, recebe recursos da Fundação Bill e Melinda Gates e
tenta suprir a dificuldade de suplementação de vitaminas e minerais
em regiões sem infra-estrutura adequada para a distribuição de
alimentos processados com o uso de tecnologias que têm como base a
semente de produtos agrícolas melhorados.
A biofortificação de alimentos no Brasil envolve 10 unidades da
Embrapa, universidades, centros de pesquisa e empresas de extensão
rural, além de prefeituras, associações de produtores e organizações
não-governamentais. Em todo o mundo, são cerca de 700 pesquisadores
e técnicos envolvidos com o propósito da biofortificação.
Mais informações: Área de Comunicação Empresarial da Embrapa Milho e
Sorgo, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,
vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:
(31) 3027-1223 ou
gfviana@cnpms.embrapa.br .
Guilherme Ferreira Viana (MTb/MG
06566 JP)
Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Contatos: (31) 3027-1223
gfviana@cnpms.embrapa.br
