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Mostra de agricultura familiar estimula pequenos produtores (21/10/2009)
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Ana Maio
Mostra de agricultura familiar estimula pequenos produtores
Juliana Moreno é agricultora em um assentamento da região de Corumbá, Mato Grosso do Sul. No lote da família, ela e o marido plantam cana e capim napiê. Ele produz rapadura para venda. Na  sexta-feira ( 16) , Juliana participou da 3ª Mostra de Agricultura Familiar de Corumbá e da 1ª Feira de Sementes, realizadas na Estação Experimental do Campo, no assentamento Taquaral.

Agora, ela pretende fazer uma horta para produzir alimentos para consumo próprio. A agricultora foi uma das quase 200 pessoas que acompanharam a Mostra, a maior realizada no município até o momento. No ano passado, a 2ª Mostra reuniu cerca de 80 agricultores familiares no mesmo local.

“Foi a primeira vez que participei e aprendi com quem sabe. Todas as estações foram importantes, todas as perguntas foram respondidas”, disse Juliana, que mora no assentamento Tamarineiro II.

Assim como ela, o agricultor Hermenegildo Choque Benito, da Bolívia, também se inscreveu e participou do evento. “Foi muito interessante, muito bonito. Gostei da parte de horticultura, de defensivos orgânicos, da ordenha higiênica e do saneamento rural”, afirmou. Ele é produtor de hortaliças e veio com outros três agricultores do país vizinho.

Hermenegildo disse que gostou de conhecer como trabalham os agricultores familiares brasileiros e queria que esses fossem até a fronteira para conhecer a agricultura familiar boliviana.

O sucesso da Mostra de Agricultura Familiar se deu, principalmente, pela união de forças entre todas as instituições envolvidas na organização: Embrapa Pantanal, Estação Experimental do Campo, Fundação Terra Pantanal, Secaf (Consultoria e Assessoria para Agricultura Familiar), Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Cisv (Comunità Impegno Servizio Volontariato), Ataac (Associação dos Técnicos em Agropecuária dos Assentamentos de Corumbá) e várias secretarias da Prefeitura de Corumbá.

Seis estações montadas no evento foram oportunidades de apropriação de conhecimentos e tecnologias pelos participantes em diferentes temas, como manejo agroecológico de plantas, adubos verdes, ordenha higiênica, caldas alternativas, agricultura familiar e alimentação escolar e pastagens recomendadas para ovinos.

Para a mostra, agricultores urbanos e de assentamentos da região levaram verduras, frutas, legumes, artesanato, doces, queijos, sucos, mudas e sementes produzidas em suas propriedades.

Pela manhã, logo depois da solenidade de abertura, o público acompanhou palestra com o pesquisador aposentado da Embrapa Instrumentação Agropecuária Antonio Novaes, de São Carlos (SP). Ele falou sobre a fossa séptica biodigestora e o clorador de água, tecnologias desenvolvidas pela empresa de pesquisa.

Novaes falou da importância do tratamento dos resíduos de vasos sanitários na área rural para evitar contaminação do lençol freático e a transmissão de doenças. Apresentou a tecnologia das fossas sépticas, que já está sendo testada na região pela Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O produto final desta fossa é um biofertilizante sem odor que melhora a qualidade da produção agrícola. “Quem não quiser usar o produto final como adubo pode fazer uma filtragem no fundo da caixa biodigestora e a água sai limpa, pode ir para o rio”, explicou.

Alimentos

Participaram da abertura da Mostra o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pantanal, Thierry Ribeiro Tomich, o secretário executivo de Educação de Corumbá, Hélio Lima, o vereador Carlos Alberto Machado, o representante da Superintendência de Agricultura do Mapa em Mato Grosso do Sul, Augusto César Farias, os agricultores Amélia Freitas e Cristiano Conceição e a pesquisadora Aldalgiza Campolin, da Embrapa Pantanal.

Todos destacaram a importância da agricultura familiar para o país e a necessidade de apoiar a atividade. Augusto Farias disse que Mato Grosso do Sul tem aproximadamente 72 mil famílias que se enquadram nessa classificação: 36 mil são famílias assentadas (em 183 assentamentos), 20 mil são pequenos agricultores, 12 mil indígenas, 2 mil pescadores artesanais e mil quilombolas.

“Mesmo com toda essa força de trabalho, 85% do consumo de alimentos do Estado vem de fora. Para consumo humano, nós só produzimos carne”, afirmou.

Farias disse que esse tipo de evento promovido por instituições parceiras é o que a agricultura familiar precisa para se fortalecer. “Precisamos reduzir nossa dependência externa”, disse.

Ana Maio MTb 21 928
Embrapa Pantanal
Contatos: 67 3234 5864

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