A Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos/SP) é uma das 19 unidades de pesquisa da Embrapa que participam do Show Rural Coopavel 2010 durante os dias 8 e 12 de fevereiro. Entre as tecnologias que apresenta está o projeto “Balde Cheio” que já alcançou 20 estados brasileiros.
Utilizando-se de metodologia inovadora, que supera muitos dos problemas normalmente enfrentados pela transferência de tecnologia da pesquisa para o campo, o projeto demonstrou a viabilidade - técnica e econômica - da pequena propriedade, ou propriedade familiar, para a produção de leite.
As propriedades assistidas possuem, em sua maioria, de meio hectare a 20 hectares. São quase 4 mil propriedades diretamente assistidas, em 20 Estados e no Distrito Federal. A tecnificação e o bom gerenciamento permitem que esses produtores familiares multipliquem sua renda, que em alguns casos, era, antes de aderirem ao projeto, inferior a um salário mínimo. Cerca de 90% dos produtores assistidos pela Embrapa Pecuária Sudeste conseguia produção diária inferior a 80 litros no início dos trabalhos.
Após a sua adesão ao projeto, passaram a obter de 300 litros a mil litros/dia. Mas o indicador mais importante na atividade, que é a produção de leite por hectare/ano, foi elevada de 12 a 15 vezes, o que significa aumento de 1.100% a 1.400%.
Outra tecnologia que a unidade mostra ao público é a nova variedade de guandu, denominado BRS Mandarim, voltado principalmente a pecuaristas e a produtores de cana-de-açúcar e álcool. A cultivar apresenta alta produtividade de forragem (parte verde da planta), que é 10% superior à variedade de guandu mais usada no Brasil, portanto indicado para a alimentação de bovinos.
Apresenta também uniformidade de sementes, dando assim plantas iguais e uniformes, o que não ocorre com as outras variedades, que apresentam muita mistura. Segundo Rodolfo Godoy, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste e responsável pelo trabalho, a nova variedade tem ainda boa persistência, o que permite uma vida útil de quatro anos, quando bem manejada, ao passo que a produção das variedades já existentes chega apenas ao segundo ano. Além disso, é moderadamente resistente à acrophomina, fungo que ataca as raízes e mata a planta, problema frequente em outras variedades.
Pesquisa realizada pela unidade para obter carne bovina de qualidade também pode ser conferida durante a feira. Fatores como teor de gordura, maciez, cor, marmoreio e sabor são agora levados em conta na hora da produção, comércio e escolha da carne bovina.
A Embrapa Pecuária Sudeste mostra que estes fatores dependem, entre outros, do manejo alimentar dos animais, da condição sexual e da escolha entre as diferentes raças e cruzamentos. Assim, carnes com determinadas características podem ser obtidas a partir de animais oriundos de cruzamentos raciais específicos, com manejos de alimentação definidos.
A técnica que utiliza pastejo rotacionado, em sistemas intensivos, também está na feira. O modelo consiste na divisão de piquetes em áreas menores, mantendo o gado, em cada piquete, por cerca de três dias, com melhor aproveitamento do capim. Os animais vão sendo transferidos sucessivamente para os piquetes vizinhos, ficando cada área em descanso por cerca de 30 dias, período em que o capim se recompõe, utilizando-se inclusive a adubação. Permite controle mais rigoroso da colheita da forragem e melhor aproveitamento do pasto, o que evita a desuniformidade de pastejo. Além disso, é possível controlar a freqüência de desfolha das plantas, o que favorece a recuperação de forma adequada e evita a degradação da pastagem.
Jorge Reti (MTb 12693-SP)
Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP)
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