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Dia de campo apresenta programa de tolerância à deficiência hídrica (30/06/2010)
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André Coutinho
 Dia de campo apresenta programa de tolerância à deficiência hídrica

O dia de campo especial sobre Pesquisa e Tecnologia para a Tolerância à Deficiência Hídrica realizado na segunda-feira (28) na estação experimental da Seagro/Emater em Porangatu (GO) contou com a presença do diretor-presidente da Embrapa Pedro Arraes, do secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Leonardo Veloso do Prado, da senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO), do deputado estadual Julio da Retífica (PSDB/GO), produtores rurais, extencionistas e pesquisadores além de lideranças comunitárias locais e demais representantes públicos estadual e municipal.

A seca é um dos maiores motivos de perda da produção no norte de Goiás e os pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão têm dedicado significativo esforço na tentativa de amenizar a situação, ajustando formas de produção e de cultivares que melhor se adequem às características da região.

O projeto tem o objetivo de desenvolver o melhoramento genético de variedades mais adaptadas às condições de deficiência hídrica reduzindo-se, desta forma, perdas na produção e qualidade dos alimentos em consequência aos períodos de estiagem que afetam as culturas de campo.

“A biotecnologia é uma ferramenta importante para o melhoramento genético de arroz e feijão mais tolerantes à seca”, destacou o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão Cleber Guimarães, coordenador do projeto de tolerância à deficiência hídrica, em Porangatu.

Este projeto desenvolve 16 experimentos de arroz reunindo 800 tipos de linhagens segregantes (que se diferenciam umas das outras) e não segregantes. Em relação ao feijão são 21 experimentos reunindo 2310 tipos de linhagens segregantes e não segregantes. Esta pesquisa dá suporte a sete projetos distintos, incluindo melhoramento genético, biotecnológico e fisiológico.

Segundo Cleber Guimarães, para  realizar a pesquisa foi necessário obedecer alguns pré-requisitos básicos envolvendo desde solo uniforme, o controle permanente de evolução da variedade de arroz e feijão, e ainda, detectar quais variedades que melhor se adaptam ao estress hídrico, além de acompanhamento do nível de distribuição de água, entre outros fatores fundamentais para se obter o resultado esperado da pesquisa.

Outra ação para se encontrar as cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico foi a divisão do experimento em duas partes distintas: uma metade recebeu volume normal de água e a outra apenas a quantidade suficiente para não morrer. Neste procedimento é testada a eficiência máxima dos grãos. Posteriormente, as plantas são analisadas minuciosamente (grãos, folhas, raízes e evolução da variedade) e os resultados são enviados aos laboratórios da Embrapa Arroz e Feijão, onde a equipe técnica faz o sequenciamento do DNA.

Para o diretor-presidente da Embrapa Pedro Arraes esta tecnologia por envolver questões climáticas, gestão de água e outros fatores ambientais é um referencial tanto para os demais centros de pesquisa da Embrapa quanto a outros centros de pesquisa do Brasil e do Exterior que buscam equilibrar tecnologia, meio ambiente e produção sustentável de alimentos. “Temos que fazer com que o produtor sinta maior confiança na produção agrícola, respeitando o ambiente e as questões referentes à utilização do solo, da água e os efeitos climáticos existentes”, observou Pedro Arraes.

Já a senadora Lúcia Vânia em sua fala de abertura do dia de campo especial se diz orgulhosa por viabilizar recurso de 200 mil reais para a execução do projeto: “Sinto-me orgulhosa por fazer parte deste projeto aqui em Porantagu, no norte de Goiás, pois esta foi a região onde eu iniciei minha vida pública, quase trinta anos atrás”, disse a senadora informando ainda que como vice-relatora de orçamento e finanças do senado federal está buscando apoio para destinar outros um milhão de reais para que a Embrapa Arroz e Feijão continue realizando estas e outras pesquisas voltadas ao homem do campo, a agricultura brasileira e a melhoria da qualidade de vida e ambiental da região.

Estação Experimental de Porangatu

A Estação Experimental de Porangatu foi criada pela deliberação 023/84 da Emgopa, com localização à margem da BR 153 Km 57, Zona Rural, distante 413 km de Goiânia e tem uma área de 90 hectares. Geograficamente se situa na Microrregião Porangatu, Região Norte Goiano. Desde sua inauguração a unidade de pesquisa tem desenvolvido projetos que visam implementar a adoção de tecnologias voltadas para atividades que vão desde a agricultura familiar até as complexas cadeias do agronegócio, buscando subsidiar e consolidar um modelo sustentável de desenvolvimento rural para a região norte do Estado de Goiás.

Para a engenheira agrônoma Maria de Fátima Malheiros, coordenadora da Estação Experimental da Seagro/Emater em Porangatu além da viabilidade comercial, esta pesquisa contribui para a agricultura em âmbito nacional e até mesmo internacional, ajudando desde o pequeno até os grandes produtores na diminuição das perdas durante a safra. Representa, também, o fortalecimento das atividades da Estação de Porangatu, que terá possibilidades de se tornar um centro de fenotipagem.

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