Discutir os caminhos possíveis em direção ao futuro da expansão da cultura da cana-de-açúcar no Nordeste Brasileiro. Este foi o objetivo da oficina ‘Cenários de expansão da cultura da cana de açúcar no Nordeste Brasileiro’. Nos dias 27 e 28 de maio, 25 participantes convidados, entre especialistas em cana-de-açúcar, dirigentes de usinas de açúcar e etanol, gestores públicos e pesquisadores da Embrapa se reuniram em Maceió (AL) para debater o tema.
O encontro foi promovido pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A oficina integra os planos de ação voltados para impactos e cenários da cultura da cana em áreas tradicionais e de expansão. Os planos fazem parte do projeto em rede ‘Produção Sustentável da Cultura da Cana-de-açúcar para Bioenergia em Regiões Tradicionais e de Expansão no Nordeste e Norte do Brasil’.
Liderado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, o projeto concentra investimentos em pesquisa da ordem de R$ 4 milhões e envolve sete Unidades Descentralizadas da Embrapa e tem a parceria de órgãos federais estaduais, além universidades de todas as regiões e centros de pesquisa nacionais e internacionais. Iniciado há quatro anos, o ciclo do projeto se completa no final de 2010.
Metodologia
A pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), coordenou os trabalhos e apresentou a metodologia para as discussões nos dois dias. Ela orientou os participantes para classificar as variáveis que podem ser importantes e críticas para a construção dos cenários futuros da expansão da cana.
Divididos em grupos de trabalho para as áreas agrícola, industrial, meio ambiente, social e de mercados, os participantes refletiram e debateram sobre futuros alternativos num horizonte de até 21 anos à frente, apontando os pontos críticos. Tudo feito com base em pesquisas de diagnóstico realizadas junto ao setor produtivo anteriormente. Os critérios adotados para discussão das variáveis foram eficiência, competitividade e sustentabilidade do setor sucroenergético no Nordeste.
Os grupos levantaram variáveis para cada uma das áreas dos grupos de trabalho. No próximo encontro, que acontece em agosto, o grupo irá consolidar os futuros e os cenários para cada grande tema. As atividades deverão ser concluídas até setembro, segundo explicou Nilza Patrícia.
Para ela, as expectativas do trabalho foram superadas. “Tivemos discussões muito ricas com integrantes de todos os elos da cadeia produtiva, que conhecem profundamente cada um dos temas. Muitas questões foram esclarecidas”, revelou.
Cenários
A pesquisadora disse que foi ponto de consenso na oficina a necessidade de expansão da cana pelo aumento de produtividade na região. “Não há probabilidade de aumento de áreas, e em alguns estados houve até redução dos espaços plantados. A intensificação tecnológica, com eficientes técnicas de manejo, tem sido responsável pelo aumento da produtividade e isso deve se manter no futuro”, explicou.
O pesquisador Antônio Santiago, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), que lidera o projeto de pesquisa em rede, acredita que a diversidade de conhecimentos dos atores de vários segmentos enriquece a discussão e produz resultados mais confiáveis. “As informações discutidas aqui serão utilizadas para dar direcionamentos ao projeto. Estamos certos de que essas ações irão contribuir e muito para a competitividade e sustentabilidade do setor no Nordeste”, declarou.
Para o químico Tiago Delfino, responsável técnico do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco, a dinâmica adotada na oficina promoveu uma participação mais efetiva e todos os integrantes. “Foi muito produtivo e oportuno, e consolida a importância da Embrapa para agregar valor à cadeia produtiva do setor com suas pesquisas”, acredita.
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE)
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