Todos são jovens, estão no final da graduação e viveram, ao mesmo tempo, um dia como profissionais ao enfrentar o público para apresentar resultados de pesquisas que a Embrapa desenvolve na Amazônia. São bolsistas e estagiários que há mais de um ano trabalham ao lado dos pesquisadores da Embrapa Rondônia e que foram os principais palestrantes do Dia de Campo de Plantio Direto, evento que contou com a participação de 140 pessoas, na manhã de hoje, em Porto Velho.
“A gente se constrange um pouco no começo, mas depois a gente se solta”, confessa o estudante de agronomia Hildebrando Antunes Junior, um dos palestrantes do Dia de Campo. Cursando o 9° período da graduação, Hildebrando completou, em fevereiro, um ano como bolsista da Embrapa Rondônia. Nesse período, trabalhou diariamente ao lado dos doutores José Roberto Vieira Junior e Cléberson de Freitas Fernandes, pesquisadores fitopatologistas da Embrapa Rondônia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
“Trabalho mais com pesquisas relacionadas ao controle de doenças do feijão, mas hoje a gente falou sobre pragas e doenças de soja e milho”, explica Hildebrando. O Dia de Campo abordou as duas culturas por conta das experiências que a Embrapa realiza com milho e soja utilizando o Sistema de Platio Direto. A tecnologia se apóia em três princípios básicos: não revolvimento do solo, rotação de culturas e uso de cobertura para a formação de palhada. O objetivo é reduzir a erosão, manter matéria orgânica no solo e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.
Também estudante de graduação, Rodrigo Ribeiro apresentou, em outra estação do Dia de Campo, os resultados do projeto “Sistema de Plantio Direto: alternativa de produção sustentável para recuperação de áreas alteradas na Amazônia”. Mais antigo estagiário do grupo, Rodrigo acompanhou, nos últimos dois anos, todas as etapas de execução do projeto, desde o preparo inicial do solo à coleta de dados das lavouras de arroz, soja, sorgo, milheto e milho.
Estratégia pedagógica
Colocar à frente das estações do Dia de Campo os bolsitas e estagiários no lugar dos pesquisadores foi uma estratégia pedagógica, explica o pesquisador José Roberto Vieira Junior. “O nosso papel é prepará-los para os desafios que eles vão encontrar no dia-a-dia. Estar frente-a-frente com o público e enfrentar questionamentos faz parte da profissão e aqui eles já vivem um pouco disso”, completa.
Além de participar de atividades com o público, os bolsistas e estagiários da Embrapa Rondônia realizam atividades de laboratório e experimentos em campo. Os resultados são publicados em revistas científicas, em publicações da série Embrapa ou apresentados em congressos, tudo com a rigorosa supervisão e orientação dos pesquisadores. Para muitos jovens, a experiência facilita a entrada em programas de pós-graduação ou a inserção no mercado de trabalho.
Foi o que aconteceu com o atual chefe-geral da Embrapa Rondônia, César Domingos Teixeira. Em 1982, enquanto cursava agronomia, ele foi estagiário da mesma unidade que hoje chefia. “Pra mim foi uma experiência maravilhosa. Foi a primeira vez mesmo que eu pude ter contato com experimentação e dali pra frente eu quis fazer parte da Embrapa”, revela.
Juliana Darós Cassaro se prepara agora para fazer o trabalho de conclusão do curso de agronomia. Palestrante da estação “Cultivares e zoneamento para soja e milho”, Juliana encarou a experiência como uma prévia da banca que vai avaliar seu trabalho final. “A gente sempre fica com medo de vir alguma pergunta que a gente não saiba responder”, explica a estudante. Mas ela está confiante para a banca: “eu acompanhei todos os experimentos, conheço bem as plantas, tudo o que passou com elas eu presenciei”, afirma Juliana, que vai escrever sobre os experimentos que avaliaram diferentes níveis de adubação em café conilon.
Única do grupo que não cursa agronomia, Josilane de Souza despertou a curiosidade do público ao falar de integração lavoura pecuária floresta. “Estava muito nervosa na primeira apresentação, mas depois deu tudo certo. Consegui responder a todas as perguntas”, diz, aliviada, a estudante de zootecnia. Assim como Josilane, os outros três palestrantes saíram do evento aliviados e um pouco mais confiantes: são praticamente profissionais.
Daniel Medeiros (SC-02735-JP)
Embrapa Rondônia
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