A participação da Embrapa no último dia do II Salão Nacional dos Territórios Rurais – Territórios da Cidadania em Foco, no Centro de Convenções Ulisses Guimarãres, em Brasília, foi apresentar estratégias na construção de parcerias para inovação tecnológicas nos territórios no espaço Evento de Parceiros. Na sala reservada para a Empresa, pesquisadores expuseram inovações com produtos agropecuários relevantes aos pequenos produtores e agricultores familiares.
A primeira iniciativa apresentada foi o Projeto Sabor Nativo - Introdução de Inovações Tecnológicas em Rede de Agroindústrias Familiares, da Embrapa Clima Temperado. O projeto é voltado à inovação e cooperação e tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento da agroindústria regional, colocando no mercado lote com produtos inéditos, como frutas nativas e pequenas frutas da região de clima temperado.
Segundo o pesquisador Daniel Marques Aquini, o projeto aproxima ainda mais a comunidade dos resultados das pesquisas para transformar a realidade local. “Amplia-se a capacidade de produção das agroindústrias familiares e potencializa-se a comercialização dos produtos. Assim, além de diminuir os riscos e os custos nas empresas, buscamos estimular, com mais segurança, a produção do pequeno agricultor e a valorização das frutas nativas.”
Desenvolvimento e formação de multiplicadores
Da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju-SE) veio o projeto “Articulação para a geração e transferência de tecnologias, produtos e serviços, de base ecológica”, que relata a experiência da unidade nos territórios sergipanos. O pesquisador Edmar Ramos de Siqueira abordou as ações e resultados no território Centro-Sul do estado, com a realização de diagnóstico rural participativo, formação de multiplicadores de conhecimento, identificação de eixos de desenvolvimento e criação de redes sociais de aprendizado. O objetivo do trabalho é contribuir para o desenvolvimento endógeno agrícola do território, com a consolidação de ferramentas eficazes de controle social.
Outra iniciativa apresentada foi a dos “Projetos agroindustriais participativos – viabilizando o processamento de alimentos em assentamentos de reforma agrária”, da Embrapa Agroindústria de Alimentos. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento sustentável de projetos de asssentamento do Norte Fluminense por meio da transferência de tecnologias que permitam a verticalização da produção, agregação de valor aos produtos, redução dos desperdícios na produção e garantia da segurança alimentar da população local.
“Primeiramente fizemos articulação para desenvolvimento de desenvolvimento de parcerias, identificação de beneficiários e viabilização de financiamento. Logo depois, estudos de diagnóstico rural participativo e das cadeias produtivas para planejamento, análise das informações e elaboração dos projetos agroindustriais. O resultado foi a implantação das agroindústrias. A partir do rigoroso controle e acompanhamento, foram desenvolvidos novos produtos. Todas as etapas foram discutidas com os assentados”, explicou o pesquisador Rodrigo Monteiro.
O Sistema Bragantino, sistema de agricultura sustentável para a Amazônia, e a Meliponicultura, que consiste na criação de abelhas indígenas sem ferrão, foram os projetos apresentados pelo pesquisador Italo Lüdke, da Embrapa Amazônia Oriental.
Desafios
Segundo explicou Lüdke, “um dos grande desafios que enfrentamos inicialmente no Norte do Pará, uma das mais antigas áreas de exploração da Amazônia, foi tornar os solos de baixa fertilidade natural e ácidos propícios para a agricultura familiar. Além disso, se utilizava espaçamentos inadequados, que tornavam ainda mais baixa a produtividade. Aliado aos problemas de recursos financeiros para a atividade, a localidade tinha dificuldades em se manter competitiva”.
Com a introdução inovadora do Sistema Bragantino, que domina a arte de produzir sem devastar, sem utilizar a queimada na agricultura, a produção praticamente dobrou nos municípios da região onde se implantou o sistema. “Para isso, foram utilizadas técnicas de adubação e espaçamento. Outro resultado foi a substituição paulatina das culturas animais pelas semi-perenes e perenes”.
Sobre a Meliponicultura, área nova na Empresa que se dá muito bem em regiões da Amazônia, uma das grandes vantagens da atividade é a geração de ocupação e de renda e a polinização natural. “Além disso, pode ser integrada a plantios florestais, de fruteiras e de culturas de ciclo curto, podendo contribuir, através da polinização, com o aumento da produção agrícola e regeneração da vegetação natural”, diz o pesquisador. Outra vantagem da tecnologia citada por Lüdke é que a região apresenta grande riqueza de espécies de abelhas sem ferrão, exatamente 129 diferentes tipos de meliponíneos.
O produto gerado é bastante diferenciado e com valor agregado em relação aos seus concorrentes, o que desperta grade potencial de comercialização. “O mel de meliponeas é mais ácido e contem maior quantidade de água, tem melhor produtividade em condições específicas da região amazônica. Assim, a criação destas abelhas mostra-se como uma excelente alternativa de desenvolvimento econômico sustentável para as comunidades e propriedades familiares de agricultores, além de ser uma forma de preservar espécies de abelhas silvestres”, conclui.
Para isso, Lükde ressalta a importância da organização dos produtores e a sua capacitação em temas que vão desde a tecnologia propriamente dita até formação de parcerias e negociação, gestão e legislação, bem como o esforço em promover a regulamentação da prática da meliponicultura.
Pilares
Do Semi-arido nordestino veio o exemplo da “Rede de transferência de tecnologia para a inclusão produtiva da agricultura familiar que tem como foco produtivo a caprinovinocultura - Sistema Integrar”. A rede tem quatro pilares: rede sistêmica e contínua para possibilitar a integração de parceiros, tecnologias e atividades; utilizar a capacitação continuada e os princípios de extensão e atuar de maneira interativa (pesquisa, assistência técnica e produtores rurais); estabelecer um fórum contínuo e permanente de debates e discussões técnicas; e monitoramento e avaliação dos resultados da aplicação das tecnologias.
O pesquisador da Embrapa Caprinos e ovinos Evandro Junior falou sobre o contexto de fortalecimento da lógica da territorialidade, mas lembrou que ainda não há assessoramento técnico suficiente e eficaz para atender as demandas dessa nova realidade. Como solução, ele apontou a integração: “unidade” entre as instituições – alinhamento de ferramentas, estratégias, metas e monitoramento dos resultados; metodologia de intervenção da Assessoria Técnica, uma vez que cada propriedade é única, uma espécie de “sala de aula prática”; e a criação de um fórum de discussão e capacitação continuada. “Em outras palavras, isso significa a cooperação entre a Embrapa e as Organizações Estaduais de Pesquisa (Oepas) Emparn, Emepa, Ipa e EBDA e o compartilhamento de competências e infraestrutura para acelerar o processo de geração e transferência de tecnologias para caprinos e ovinos”, explica Evandro Junior.
Saiba mais
O II Salão Nacional dos Territórios Rurais – Territórios da Cidadania em Foco, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), volta-se para a articulação de políticas destinadas à promoção do desenvolvimento rural, com enfoque territorial. O conceito adotado pelo MDA define território como “um espaço físico, geograficamente definido, geralmente contínuo, compreendendo a cidade e o campo, caracterizado por critérios multidimensionais – tais como o ambiente, a economia, a sociedade, a cultura, a política e as instituições – e uma população com grupos sociais relativamente distintos, que se relacionam interna e externamente por meio de processos específicos, onde se pode distinguir um ou mais elementos que indicam identidade e coesão social, cultural e territorial”
Flavia Bessa(MTb 4469/014/041/DF)
Assessoria de Comunicação Social
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