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Agricultura de baixo carbono é debatida em Jaguariúna (30/08/2011)
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Paulo Fernando Costa
Agricultura de baixo carbono é debatida em Jaguariúna

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA promove em 2011 uma série de workshops abordando questões vitais da Agricultura de Baixo Carbono - ABC.

 
A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), em parceria com a CNA realizou o primeiro, “Ciência e Tecnologia”, que compõe a série “O Caminho para uma Agropecuária de Baixo Carbono”, em 11 de agosto. Na ocasião foram discutidos temas como a questão ambiental e climática da agricultura, o agronegócio brasileiro e as perspectivas da ABC. Os outros dois workshops serão realizados oportunamente, em São Paulo e Brasília, respectivamente, abordando outras facetas da ABC como Aspectos Jurídicos e Econômicos e Articulação Política.

Em Jaguariúna participaram pesquisadores e técnicos da Embrapa Meio Ambiente, professores universidades, além de profissionais de empresas públicas e privadas como Rabobank, Marfrig, Syngenta, Cargill e Bunge. Para estas empresas a ABC é uma oportunidade de negócios atual que não pode e não deve ser desperdiçada. Segundo Valter Brunner da Syngenta, “hoje há condições do agricultor ter seu negócio inserido na sustentabilidade”. O gerente de Assuntos Corporativos & Sustentabilidade da Bunge, Michel Henrique Santos, acredita que “o agricultor deve ser remunerado pelos inúmeros serviços ambientais que presta, pois ele já tem muitas leis e critérios para cumprir”. Flávio Menezes, da CNA compartilha da opinião de Santos, complementando que deve “haver uma convergência na remuneração do agricultor, que está na ponta da cadeia produtiva”. Menezes enfatizou que a Embrapa tem o importante papel de orientação técnica e a CNA de verificar o que os agricultores brasileiros precisam para implantar uma ABC e ter lucro com a atividade.

Na questão ambiental, o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto, enfatizou que “se por um lado existem impactos negativos futuros oriundos do aquecimento global para o setor agropecuário, por outro  a ABC pode vir a se constituir em um novo vetor de desenvolvimento econômico rumo a uma economia verde”. Como oportunidades em uma ABC ele citou as biorefinarias de etanol, os biocombustíveis de modo geral, a integração lavoura-pecuária-floresta, serviços ecossistêmicos e os insumos biológicos dentre outros.

No entanto, para Manzatto, a agricultura influencia e é influenciada pelas mudanças climáticas relacionadas ao aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. “Devemos estar atentos ao que estes impactos podem causar à agricultura e ao meio ambiente, tanto na reconfiguração territorial das áreas produtivas em função dos cenários de mudanças climáticas apontados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), quanto à maior ou menor incidência de pragas, doenças e plantas daninhas nas culturas”, informa ele.

Para a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Raquel Ghini, doenças, pragas e plantas invasoras estão entre os principais fatores responsáveis por redução de produtividade das culturas. “É estratégico para a sustentabilidade da agricultura brasileira o conhecimento dos impactos das mudanças climáticas globais sobre os problemas fitossanitários”, disse ela. A pesquisadora apresentou no evento as propostas do projeto em rede Climapest, da qual é líder, enfatizando a instalação em campo experimental da Unidade em Jaguariúna de um experimento tipo FACE – Free-Air Carbon Dioxide Enrichment com café. “O objetivo é avaliar os impactos do aumento da concentração de CO2 sobre doenças, pragas, plantas daninhas do cafeeiro, além de aspectos fisiológicos, nutricionais, econômicos, entre outros da cultura”, informa ela.

O experimento FACE faz parte do projeto “Impactos das mudanças climáticas globais sobre problemas fitossanitários – Climapest” que até 2012 avalia o impacto das mudanças climáticas sobre doenças, pragas e plantas invasoras de importantes culturas para o agronegócio brasileiro, visando ao desenvolvimento de alternativas de adaptação para o controle dos problemas fitossanitários predominantes nos cenários climáticos futuros. O projeto atua em 12 estados do país, abordando as 5 regiões e vai estudar 85 problemas fitossanitários de 16 culturas: soja, café, laranja, milho, forragicultura, espécies florestais, maçã, pêssego, banana, manga, uva, mandioca, algodão, mamona, coco e dendê. O Climapest é multidisciplinar e conta com a participação de 134 pesquisadores de 16 Unidades da Embrapa e de 21 parceiros externos, totalizando 37 instituições.

Também dentro desta linha a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Magda Lima apresentou como são feitas as estimativas brasileiras para o Inventário de Emissão de Gases de Efeito Estufa como parte da Comunicação Nacional junto à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. De acordo com ela, “as principais fontes de metano no setor agropecuário estão associadas ao cultivo de arroz irrigado por inundação, à queima de resíduos agrícolas e principalmente à pecuária, por meio da fermentação entérica e sistemas de manejo de dejetos animais”.

O que é o Programa ABC

A produção sustentável é uma prioridade para o governo federal e, a partir da safra 2011/2012, o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) vai incorporar todas as ações que incentivam a produção de alimentos com preservação ambiental. No total, os projetos de investimento voltados a atividades agropecuárias que permitem a mitigação da emissão de gases de efeito estufa terão crédito de R$ 3,15 bilhões e poderão ser contratados com condições mais facilitadas, como taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo para pagamento de 15 anos.

O ABC reflete o esforço do governo para atender aos compromissos voluntários assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), de redução significativa das emissões de gases de efeito estufa, gerados pela agropecuária. Lançado em julho de 2010, o programa pretende evitar a emissão de 165 milhões de toneladas equivalentes de CO2 nos próximos 10 anos, por meio de seis práticas agrícolas sustentáveis: plantio direto na palha, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastos degradados, plantio de florestas, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de resíduos animais.

Com informações do Mapa.

Eliana Lima, MTb. 22.047
Embrapa Meio Ambiente
(19) 3311.2748
elima@cnpma.embrapa.br

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