O chefe geral da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), Celso Vainer Manzatto, esteve na Bolívia de 28 a 29 de novembro para participar do Seminário “Produzir Mais para Distribuir Melhor”, onde foram discutidos os entraves e as alternativas para três cadeias produtivas daquele país: lácteos, cana-de-açúcar e avicultura. A pedido da Bolívia, o convite foi feito pela FAO Bolívia (Organização para a Agricultura e Alimentação), que consultou especialistas da área agrícola e os convidou para participar do evento.
Estiveram presentes a ministra de Desenvolvimento Produtivo e Economia Plural, Teresa Morales, além da Federação de Empresários Privados de Santa Cruz (Fepsc), representada por Gabriel Dabdoub; representantes da FAO e da ONU na Bolívia. Segundo Manzatto, o evento marcou a construção de uma agenda produtiva positiva, enfatizando ações e políticas públicas concretas para dinamizar os três setores.
Manzatto apresentou a experiência do ZAE – Cana (Zoneamento Agroecológico da Cana) como exemplo de acordo público-privado na construção de marcos regulatórios para o setor canavieiro, e disse que a Embrapa pode apoiar o governo boliviano e o setor sucroalccoleiro, caso seja demandada formalmente, principalmente no uso de tecnologias que intensifiquem a produção e a produtividade agrícola. “Podemos auxiliar a Bolívia dentro da Agenda de cooperação Sul/Sul do Governo Federal”, diz.
Segundo ele, a região de Santa Cruz de La Sierra concentra a maior parte do agronegócio boliviano, sendo que o governo boliviano pretende construir uma agenda positiva, com parcerias público-privadas, a fim de dinamizar cadeias produtivas e ampliar a oferta de alimentos para a população do país.
No caso da cana-de-açúcar, a Bolívia procura principalmente garantir o abastecimento interno de açúcar, gerar excedentes para assegurar a exportação e alternativas para a eliminação da queimada da cana. A legislação ambiental atual proíbe a queima como técnica de pré-colheita. Hoje, o país conta com cerca de 130 mil ha de cana plantados com uma produtividade de aproximadamente de 45 toneladas por hectare, com exportação do produto em pequenas quantidades, dependente de autorização prévia do Governo, como forma de garantir o abastecimento interno. “As variedades de cana existentes no mercado brasileiro, por exemplo, aliadas a técnicas de produção simples podem duplicar a produção boliviana, sem necessidade de expansão da área cultivada”, salienta ele.
Para Manzatto, “mais que uma questão ambiental a eliminação da queimada como operação de pré-colheita é uma opção tecnológica, que demanda várias alterações no plantio, colheita, tratos culturais, além da recepção do produto nas usinas”, explica. Desse modo, “é necessário um cronograma de ajustes para que esta mudança tecnológica ocorra tranquilamente”, enfatiza.
Eliana Lima, MTb 22.047
elima@cnpma.embrapa.br
(19) 3311.2748

