América Latina e Caribe, regiões ricas em biodiversidade, estão unindo o capital intelectual de doze instituições para desenvolver uma agenda de pesquisa e fomentar políticas públicas voltadas para o incentivo à bioeconomia. O lançamento do projeto "Promoção da bioeconomia com base no conhecimento na América Latina e Caribe em parceria com a Europa”, ocorrido em Cali, na Colômbia, em junho, dá início à identificação de experiências e capacidades das cinco instituições européias e sete latinoamericanas, entre elas a Embrapa, envolvidas nas ações do projeto.
A bioeconomia é uma alternativa para obter crescimento econômico com o uso sustentável dos recursos naturais. A nova tendência faz uso do conhecimento gerado nas áreas de biologia, química, ciência de materiais, genômica e tecnologia da informação para explorar com mais sustentabilidade os recursos naturais necessários para a produção agropecuária e industrial.
O desafio global de reduzir a dependência por combustíveis fósseis e materiais não-renováveis é uma das razões dos crescentes investimentos em ações de P&D promotoras da bioeconomia. Entre as ações de pesquisa da Embrapa, relacionadas com a tendência da bioeconomia, estão a busca por fontes alternativas de biomassa para produção de etanol, destoxificação de resíduos para alimentação animal e o desenvolvimento de boas práticas agrícolas para mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
A Embrapa conta com quatro pesquisadores atuando no projeto de promoção da bioeconomia com base no conhecimento, também conhecido como KBBE (Knowledge Based Bio Economy). Para o economista Carlos Augusto Mattos Santana, pesquisador da Embrapa Estudos e Capacitação (Brasília – DF), a Europa já acumula experiência na área e busca fortalecer a competitividade dos setores agropecuário e industrial com crescentes investimentos.
Somente o Ministério da Economia, Agricultura e Inovação da Holanda anunciou, em junho, um plano de investimentos de 15 bilhões de Euros em pesquisa para um conjunto de setores, entre eles agroindústria e energia, com potencial de gerar tecnologias sustentáveis. “A Europa trabalha o conceito de bioeconomia há 10 anos”, comenta Santana.
Além de definir um conceito comum de bioeconomia, os países da América Latina e Caribe irão identificar as necessidades do setor industrial, desenvolver uma agenda de pesquisa e estabelecer uma plataforma de cooperação entre as doze instituições envolvidas no projeto. Três workshops estão previstos para 2012, na Costa Rica, Colômbia e Argentina.
Segundo Santana, um dos desafios da pesquisa na área de bioeconomia é transformar recursos naturais em inovação. “O uso da biotecnologia para gerar uma segunda revolução verde é uma necessidade. Produzir alimentos com menor impacto ambiental, economia de água e menos insumos químicos é um desafio global”, salienta.
Encontro define etapas do projeto
O encontro organizado pelos Centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento (Cirad - França) e Centro internacional para agricultura tropical (Ciat - Colômbia), em Cali, proporcionou uma oportunidade para os países integrantes apresentarem, analisarem e discutirem os principais aspectos do projeto, bem como formular e programar as próximas atividades para o primeiro ano de trabalho (2011-2012).
Os economistas Carlos Santana e Danielle Alencar Parente Torres, pesquisadores da Embrapa Estudos e Capacitação, participaram do encontro representando a Embrapa. Também atuam no projeto os pesquisadores Aryeverton Oliveira, da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas - SP) e Andre Steffens Moraes, da Embrapa Pantanal (Corumbá – MS).
O projeto KBBE é coordenado pelo bioeconomista Guy Henry, do Ciat. Segundo Henry, as ações do projeto contribuirão significativamente para responder questões relevantes sobre a realidade latinoamericana, tais como a importância do conceito de bioeconomia para a agricultura de pequena escala; a necessidade de assegurar a segurança alimentar da população em um contexto de mudanças climáticas; e desenvolver estratégias para a produção sustentável de biomassa visando à produção de alimentos, rações, combustíveis e energia.
Gustavo Porpino (RN 648JP)
Secretaria-Executiva do PAC Embrapa
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Com informações de Scheila Fogaça
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