O aproveitamento agroindustrial da tilápia foi o principal tema de discussão da primeira reunião técnica realizada entre os componentes da Rede de Pesquisa Aquabrasil com as indústrias do setor de pescado da região norte do Paraná e oeste de São Paulo, realizada no dia 20 de julho, no Campus Regional do Noroeste da Universidade Estadual de Maringá (UEM), localizado em Diamante do Norte - PR.
A reunião, realizada pela Embrapa em parceria com a UEM, teve como principal objetivo apresentar as tecnologias desenvolvidas por pesquisadores brasileiros, bem como diagnosticar demandas de pesquisa no setor industrial aquícola, capazes de agregar valor aos produtos e co-produtos do pescado.
O evento reuniu diversas autoridades, representantes do setor produtivo do pescado, bem como professores do Departamento de Zootecnia da UEM pesquisadores de diversas Unidades da Embrapa, que apresentaram palestras em diferentes áreas de interesse do setor industrial.
100% de aproveitamento
Um dos assuntos em destaque foi o aproveitamento integral da matéria prima, apresentado pela pesquisadora Maria Luiza Souza Franco, da UEM, onde partes como as escamas, carcaça, aparas e pele de pescado servem como base para desenvolvimento de vários produtos, tais como: farinha para biscoitos, pães, rações (feitos a partir da carcaça) e gelatina, produção de torresmo, bolsas, sapatos, roupas(a partir da pele), entre outros .
Já a pesquisadora Luciana Kimie, da Universidade de São Paulo (USP), tratou sobre as variedades de produtos obtidos a partir da CMS (Carne Mecanicamente Separada), que origina o minced, utilizado na produção de produtos como o fishibúrguer, nuggets, almôndegas e quibes. Outro destaque da apresentação de Luciana foi a rastreabilidade e a certificação de origem.
Preocupação ambiental
As Propostas de tecnologias alternativas para o tratamento de resíduos sólidos e efluentes naturais foram tema da apresentação do pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Leandro Kanamaru. Segundo ele, existe uma grande demanda de tecnologias direcionadas para os pequenos entrepostos de pescado afim de que estes estabelecimentos disponham de um destino adequado e ambientalmente correto para os resíduos. Entre as alternativas apresentadas, estão: o tratamento de efluentes industrial, a compostagem de vísceras e carcaça de peixe e a otimização do uso da água, para obter, assim, uma produção ambientalmente correta.
Já o pesquisador da Embrapa Pantanal, (Corumbá-MS), Ricardo Borghesi, apresentou resultados e avanços tecnológicos na produção de co-produtos do pescado, por meio da transformação do resíduo, como forma de agregar valor ao produto final da produção.
Embrapa Pesca e Aquicultura
Durante o evento, os participantes puderam conhecer mais sobre a mais nova Unidade da Embrapa – a Embrapa Pesca e Aqüicultura, instalada em 2010, na cidade de Palmas, Tocantins - TO. O Chefe Substituto de Transferência de Tecnologia, Alexandre Aires de Freitas, apresentou o projeto das novas instalações da Unidade, já em fase de construção, bem como as áreas de pesquisa e os projetos de pesquisa em andamento da Unidade que tem previsto para seu quadro funcional 90 empregados e um investimento do PAC Embrapa de R$12 milhões.
Segundo Alexandre, encontros como este são fundamentais para obtenção de melhores resultados em pesquisa: "é preciso trabalhar a realidade atual a partir das necessidades do mercado, dos fornecedores, das empresas e dos clientes para traçar a situação futura, por meio de pesquisa e desenvolvimento de ações de transferência de tecnologia", completou.
Voz ao setor industrial
O ponto alto do evento ficou por conta dos representantes das industrias, que puderam debater, junto aos especialistas, as principais lacunas existentes no setor e as necessidades enfrentadas no dia a dia do trabalho com processamento de pescado. Entre as principais demandas está a necessidade de transferência de tecnologia de produção de variedades de produtos que atendam o mercado, cada vez mais exigente em relação a praticidade, qualidade e preço competitivo. As tecnologias apresentadas despertaram a atenção e motivaram o grupo a unir a cadeia produtiva da carne, bem como de estreitar a relação com os grupos de pesquisadores da área.
Segundo Hamiltom Azoia, o proprietário de um frigorífico presente no evento, saber que o pescado está sendo estudado por um grupo tão grande de pesquisadores e ver que já temos resultados importantíssimos a disposição para colocar em prática é muito motivante: "Para o produtor é fundamental ter ações como esta do Aquabrasil, onde diversas tecnologias estão sendo estudadas para que depois sejam repassadas para nosso setor e aplicadas na industria. sei que há muito que ser feito, mas tenho certeza que o melhor ainda esta por por vir" , completou.
O projeto de pesquisa “Rede Aquabrasil: “Bases Tecnológicas para o Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura no Brasil”. está em seu quarto ano de funcionamento e conta com a participação diversos pesquisadores, não só da Embrapa, mas de várias universidades públicas e privadas, de empresas de pesquisa nacionais e estrangeiras e, ainda, de institutos ligados às áreas de agricultura, aquicultura e meio ambiente. No projeto, as seguintes espécies estão sendo estudadas: tilápia (Sul e Sudeste), a cachara (Centro-oeste), o tambaqui (Norte) e o camarão branco (Nordeste). O projeto Aquabrasil, financiado pelo Macroprograma 1 da Embrapa e pelo Ministério da Pesca e Aqüicultura (MPA), está finalizando sua primeira etapa em setembro deste ano. Mas os pesquisadores envolvidos já planejam a continuidade do trabalho.
Raquel Brunelli (DRT/MS 113)
Embrapa Pantanal, Corumbá (MS)
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