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Crianças terão alimentos biofortificados em merenda escolar (05/05/2011)
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Paulo Evaristo
Crianças terão alimentos biofortificados em merenda escolar

Crianças em idade escolar do município mineiro de Capim Branco, município com menos de 10 mil habitantes localizado na região central do Estado, a 56 quilômetros de Belo Horizonte, poderão receber alimentos biofortificados na merenda escolar. Uma parceria deverá ser estruturada nos próximos meses entre Embrapa Milho e Sorgo, com sede em Sete Lagoas, em Minas Gerais,  Emater-MG  e Prefeitura Municipal de Capim Branco, com o objetivo de incentivar a multiplicação de sementes biofortificadas de milho, feijão, arroz, mandioca, abóbora e batata-doce. 

Estes alimentos, que possuem altas concentrações de ferro, zinco, vitamina A e outros minerais, poderão beneficiar cerca de mil alunos que, muitas vezes, têm na merenda escolar a única fonte de alimentação, conforme relata a secretária municipal de Educação de Capim Branco, Karine da Silva Andrade. “Nosso objetivo é fazer com que a prefeitura adquira estes produtos diretamente de agricultores familiares para oferecermos na merenda. No total, cinco escolas atendem a cerca de mil alunos que poderão ser beneficiados”, explica.

A meta da secretária tem amparo legal no Programa Nacional de Alimentação Escolar e na Lei Federal nº 11.947, de julho de 2008, que prevê que 30% dos produtos utilizados na merenda devem ser procedentes da agricultura familiar. Daí a importância e o potencial de utilização de alimentos biofortificados neste contexto. É também meta da Emater-MG investir na aquisição de produtos de agricultores familiares produzidos de forma orgânica. A empresa de assistência técnica e extensão rural realiza o acompanhamento do cultivo das lavouras.

Capim Branco é hoje reconhecida como a capital mineira da agricultura orgânica, segundo o técnico  Adenilson de Freitas, da Emater-MG. “Queremos estimular esta produção, apresentando a estes agricultores o diferencial de se cultivar também alimentos biofortificados”, descreve. O chefe-adjunto de Comunicação e Negócios da Embrapa Milho e Sorgo, Jason de Oliveira Duarte, vê com bons olhos esta parceria. “É uma forma de oferecer mais renda aos agricultores familiares, já que terão garantia de compra durante o período letivo”, conclui.

As metas agora, segundo José Heitor Vasconcellos, analista responsável pela transferência de tecnologias na Unidade da Embrapa, são estruturar um contrato de parceria e iniciar a multiplicação das sementes biofortificadas. “Devemos estimular a realização de treinamentos em eventos específicos, durante a Semana de Integração Tecnológica (de 16 a 20 de maio), oferecendo capacitação a esses agricultores e estruturando vitrines demonstrativas para que a tecnologia seja reconhecida, combatendo a desnutrição”, explica.

Combate à anemia

O projeto de biofortificação de alimentos – BioFORT – trabalha o melhoramento genético convencional de alimentos básicos como arroz, feijão, milho, mandioca, feijão-caupi, batata-doce, abóbora e trigo. O objetivo é obter alimentos com maior teor de ferro, zinco e pró-vitamina A para combater a anemia e a deficiência desta vitamina que podem ocasionar baixa resistência do organismo e problemas de visão.

Em seis anos, pesquisadores de 11 Unidades da Embrapa já conseguiram mandiocas e batatas-doces com altos teores de betacaroteno (pró-vitamina A) e arroz, feijão e feijão-caupi com maiores teores de ferro e zinco. Aos poucos, essas variedades estão chegando aos roçados das comunidades rurais e escolas de Sergipe, Maranhão e Minas Gerais. Produtos derivados e embalagens que conservam os nutrientes também estão sendo desenvolvidos.

Reunião sobre biofortificação

E está confirmada para o período de 10 a 15 de julho deste ano, no centro de convenções do Rio Poty Hotel, em Teresina, a IV Reunião de Biofortificação no Brasil. São esperados pelo menos 200 participantes entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que são membros da rede de biofortificação no Brasil, América Latina e Estados Unidos; ligados à cadeia de produção do arroz, abóbora, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho, batata-doce e trigo.

Devem participar também professores, estudantes, extensionistas, técnicos de agroindústrias e empresários. O comitê técnico-científico do evento prevê, no mínimo, a apresentação de 100 trabalhos na forma de pôsteres. Os trabalhos serão publicados na forma de resumos expandidos nos Anais da reunião. Eles serão disponibilizados em CD-ROM e no  site do Projeto BioFORT, no endereço www.biofort.com.br.

 

Guilherme Viana (MTb / MG 06566 )
Embrapa Milho e Sorgo
Contatos:(31) 3027-1272
gfviana@cnpms.embrapa.br

 

 

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