O porquê do PAC Embrapa
O que mobiliza o Programa de Fortalecimento e Crescimento da Embrapa é a percepção de que novos desafios – mais complexos se comparados aos da década de 1970, quando a instituição de pesquisa foi criada – precisam ser enfrentados para que o País possa equacionar o desenvolvimento continuado e a sustentabilidade da sua agricultura, e de que isso requer novos investimentos.
Os desafios à pesquisa agrícola pública estão previstos no Programa, organizados em quatro vertentes. A primeira é traduzida como desafios do conhecimento, que passam pelo domínio de novas áreas da ciência, como a genômica, a nanotecnologia e a tecnologia da informação. A segunda, como desafios da produção, que tratam, entre outros aspectos, de cultivares ajustadas às mudanças climáticas, mais resistentes a pragas e a doenças, que se revelem em alimentos de maior qualidade e mais seguros e que contribuam para a segurança alimentar e para a sustentabilidade ambiental. Essa vertente passa, ainda, pela promoção de uma agricultura sustentável no bioma Amazônia.
A terceira vertente apresenta-se como desafios das políticas públicas, e contempla a agroenergia, a agricultura familiar, as demandas vindas da cooperação internacional, da reforma agrária e das populações indígenas e tradicionais e o desenvolvimento de áreas em fase de depressão econômica ou que ficaram à margem do desenvolvimento. A revitalização dos processos de transferência de tecnologia aos diversos segmentos da agricultura recebe também atenção.
A quarta e última vertente trata da necessidade de adequar o sistema de pesquisa à tarefa de enfrentar os desafios enumerados. São os desafios do modelo institucional, que se traduzem como contratação de pessoal – a meta é de mais 750 pesquisadores e de mais 460 profissionais de suporte à pesquisa em três anos –, ampliação e modernização da infra-estrutura de laboratórios, maior orçamento – a Empresa quer chegar a 2010 mantendo a cifra de R$1,5 bilhão (em 2008, sem os recursos do Programa, o orçamento aprovado para a Embrapa foi de R$1.117 bilhão) – e revitalização da rede de pesquisa agropecuária pública, além de centros de pesquisa da Embrapa nos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Situa-se nessa última vertente a proposta de maior flexibilidade da instituição, de forma que ela possa criar braços como a Embrapa Participações, inspirada na Lei de Inovação, e ser capaz de associações com o setor privado brasileiro para responder a nichos de mercado, a oportunidades de negócios e à agenda internacional.
No caso da atuação internacional da Embrapa, a flexibilidade pretendida pela Empresa justifica-se pelo fato de que ela deve ser ágil na prospecção e geração de conhecimentos e também na cooperação e transferência de tecnologia, como é o caso, respectivamente, dos Laboratórios Virtuais no Exterior (Labex) e nas estruturas da Empresa em Gana, África, e na Venezuela, América Latina.

