14/06/24 |   Recursos naturais  Manejo de Recursos Hídricos

Embrapa participa de debates sobre agricultura irrigada do Brasil Central

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Foto: Juliana Caldas

Juliana Caldas -

“Não existe nenhuma tecnologia melhor do que a irrigação para que a produção agrícola seja intensificada e o Brasil consiga atender à crescente demanda mundial por produção de alimentos dos próximos anos”. É o que afirmou o pesquisador Lineu Rodrigues, da Embrapa Cerrados, durante palestra no III Encontro de Agricultura Irrigada do Brasil Central - evento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada – Inovagri, entre os dias 12 e 13 de junho, no Centro Comunitário Athos Bulcão (UnB), em Brasília (DF).

Na quarta-feira (12), o pesquisador participou de uma das mesas-redondas do evento e apresentou a palestra “Agricultura irrigada: desafios, estratégias de representação e defesa do desenvolvimento sustentável”. Segundo Rodrigues, produzir alimento será cada vez mais desafiador por conta do clima. “Temos muitas incertezas, mas algumas certezas. A chuva ficará cada vez mais concentrada e intensa. Isso não é bom para produzir alimentos e impacta diretamente na demanda de irrigação, que tem mais relação com a distribuição da chuva do que com a quantidade”, explicou.

De acordo com o pesquisador, o Brasil tem 12% das reservas de água doce do planeta. “Não dá para falar em falta de água para a agricultura em um país como o nosso”, ponderou. Segundo ele, o que há, de fato, é uma variabilidade temporal e espacial de água no país, o que pode ser resolvido com as barragens, que servem para transpor água no tempo, e com as transposições de água entre regiões. A área irrigada no Brasil é de cerca de 8,5 milhões de hectares, sendo a área potencial de 55 milhões de ha. “O Brasil irriga hoje 2% do que se irriga no mundo e utiliza menos de 1% da vazão disponível”.

Para o especialista, um dos grandes benefícios da irrigação é justamente proporcionar estabilidade de produção, uma vez que com ela se reduz o impacto do clima nas culturas. Ele elencou ainda outras razões para que a agricultura irrigada seja pensada de forma positiva, que vão desde o aumento de produtividade, já que no irrigado ela (produtividade) é em média três vezes maior do que no sequeiro, viabilidade de produção durante o ano todo e garantia de qualidade ao produto final.

O pesquisador destacou, ainda, que com a irrigação é possível viabilizar a produção de certas culturas, como, por exemplo, hortaliças e frutas. “A irrigação permite melhorar a vida das pessoas e não tem nada mais importante do que isso. Ninguém pensa em mudanças climáticas passando fome”, enfatizou. Ele citou um exemplo de como a agricultura irrigada está sendo promotora do desenvolvimento regional: o projeto Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã, desenvolvido no nordeste de Goiás e que conta com a Embrapa como parceira. “Trata-se de um projeto referência para o Brasil e que poderá ser replicado em outras partes do País”.

 

Quer saber mais sobre esse projeto, assista ao vídeo:

 

De acordo com o pesquisador Lineu Rodrigues, hoje o Brasil é referência em questão de tecnologia de irrigação, mas por outro lado precisa avançar quando o assunto é a legislação, para adequá-la às novas tecnologias. “Para isso, criamos em 2021 a Rede Nacional de Agricultura Irrigada (Renai) a fim de atuar junto ao parlamento e ao executivo em questões estratégicas para o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada”. Segundo ele, o que se busca com a rede é apresentar a agricultura irrigada como um vetor para o desenvolvimento, com contribuições efetivas para segurança alimentar, econômica e ambiental do Brasil.

 

Capacitação e visita

Na programação do Encontro também teve minicursos. Um deles foi sobre o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para cultivos irrigados, conduzido pela pesquisadora Maria Emília Borges, da Embrapa Cerrados. A capacitação contou com 30 participantes e abordou uma visão geral do zoneamento e a metodologia para a geração dele para os cultivos irrigados, o que o diferencia daquele para os cultivos de sequeiro. “E a fim de demonstrar a sua metodologia e aplicabilidade, foi apresentado o estudo de caso do ZARC para a cafeicultura irrigada”, explicou a pesquisadora.

A programação do evento contou ainda com visitas técnicas, uma delas foi realizada na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), na quarta-feira (11). Participaram cerca de 60 alunos, dos cursos de Agronomia e Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Alagoas, da Universidade Federal de Uberlândia (campus Monte Carmelo) e da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (campus Unaí).

Os estudantes foram recebidos pela pesquisadora Maria Emília Borges, que falou sobre a importância da Unidade para o desenvolvimento agropecuário do Cerrado e exibiu o vídeo institucional do centro de pesquisa. Nos campos experimentais, a pesquisadora apresentou a Unidade de Referência em Manejo de Água (URMA) II. Os visitantes também conheceram os experimentos com café irrigado, mostrados pelo pesquisador Adriano Veiga.

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados

Colaboração: Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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Telefone: 6133889945

Mais informações sobre o tema
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