17/06/24 |   Pesca e aquicultura  Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação  Segurança alimentar, nutrição e saúde

Revestimento de ração medicada reduz perda de fármacos e melhora controle de parasitas em tambaquis

Informe múltiplos e-mails separados por vírgula.

Foto: Felipe Rosa

Felipe Rosa - Tambaqui adulto

Tambaqui adulto

Pesquisadores da Unicamp e da Embrapa conduziram um estudo visando minimizar os impactos ambientais e maximizar a eficácia no tratamento de parasitas em tambaquis, peixes amazônicos de importância econômica. A pesquisa, realizada em Manaus, AM, concentrou-se em revestir a ração medicada com etilcelulose, um polímero e o efeito deste na redução da lixiviação do albendazol, a partir da ração.

Este fármaco tem se demostrado eficaz no controle do acantocéfalo Neoechinorhynchus buttnerae, verme que parasita o intestino dos tambaquis. Após 34 dias de tratamento, a eficácia do albendazol foi de 34% nos peixes alimentados com ração não revestida e de 66% nos alimentados com ração revestida.

De acordo com Claudio Jonsson, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, a lixiviação, na água, de medicamentos  provenientes de rações medicadas é uma preocupação ambiental significativa. Vários trabalhos relatam o problema a respeito do albendazol, um anti-helmíntico - medicamento que controla vermes, que atacam peixes e anfíbios, além de outros animais. Entretanto, seu uso pode representar riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana quando utilizado indiscriminadamente.

O estudo, aprovado pelos órgãos reguladores competentes, envolveu a análise de 340 tambaquis, adquiridos de duas pisciculturas, sendo uma com histórico de acantocefalose e outra sem esse histórico. A prevalência do parasita N. buttnerae foi de 100% nos peixes do primeiro grupo, evidenciando a necessidade de tratamento. Os peixes foram alimentados com ração medicada contendo albendazol, sendo parte dela revestida com etilcelulose. 

A bioacumulação de albendazol nos tecidos comestíveis dos tambaquis não foi afetada pelo revestimento com etilcelulose, mostrando-se uma opção viável para reduzir a lixiviação do fármaco sem comprometer sua eficácia no tratamento dos parasitas. Jonsson destaca que os resultados sugerem que o revestimento de ração medicada pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os impactos ambientais associados ao uso de medicamentos na aquicultura, ao mesmo tempo em que mantém a eficácia no controle de parasitas.

"Este estudo destaca a importância da pesquisa contínua na busca por soluções sustentáveis para os desafios enfrentados pela aquicultura", acredita o pesquisador.

Equipe – Rafaelle Cordeiro, Patrícia Braga, Felix Reyes Reyes– Unicamp, Claudio Jonsson – Embrapa Meio Ambiente, Edsandra Chagas e Franmir Brandão – Embrapa Amazônia Ocidental.

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

Contatos para a imprensa

Telefone: 19 992626751

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/