16/03/18 |   Manejo de Recursos Hídricos

Gestão da água ainda é desafio no Brasil, Argentina e México

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Foto: Laura Souza Pereira

Laura Souza Pereira - Palestrantes do primeiro dia do SPARH

Palestrantes do primeiro dia do SPARH

Experiências em manejo hídrico na Argentina, México e Brasil foram apresentadas no primeiro dia do Simpósio de Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH), nesta quarta-feira (14). Pelos relatos dos palestrantes da quinta edição do evento, o uso da água na agropecuária nos três países ainda é ineficiente.

No México, o consumo de carne aumentou muito nos últimos anos. Entre 1990 e 2013, o consumo mundial por pessoa passou de 67 para 81,5 quilos por ano. No mesmo período, o México registrou um incremento de 65%, passando de 67 para 111 quilos.

Para satisfazer essa demanda, a produção agropecuária também cresceu. De acordo com o professor Ricardo Morales, da consultoria agropecuária Agroder, do México, a consequência foi o aumento significativo da pressão sobre os recursos hídricos. “Infelizmente, a estratégia do setor é incrementar a produção sem considerar a conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais, principalmente da água”, enfatizou.

O setor agropecuário é o principal usuário de água no México – 76,3% do volume total concessionado. A solução desse problema hídrico demanda concentrar esforços para melhorar a eficiência do uso da água. “Como não há incentivos para o produtor que usar a água de forma eficiente e o setor de produção de alimentos no México não paga pela concessão de água, a preocupação é produzir mais, sem pensar no manejo ambiental”, conta.

Já na Argentina, o cenário é um pouco mais animador. De acordo com a pesquisadora Veronica Charlon, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), grandes produtores de leite já estão adotando medidas para reduzir o consumo de água, como uso de cisterna para captação da água da chuva.

“Em uma pesquisa, observamos que as propriedades de leite menos produtivas eram aquelas com instalações e equipamentos de ordenha mais antigos, apresentando maior consumo de água e manejo deficiente de efluentes. Por outro lado, as que tinham maior produtividade, eram as que tinham melhores práticas de manejo do esterco e do uso da água”, conta Veronica.

O desafio é estender as boas práticas de produção a um maior número de fazendas, melhorar o cuidado do ambiente e fazer a gestão eficiente da água e dos efluentes. Segundo a pesquisadora, saber quanto é consumido de água para produzir alimentos agropecuários e identificar os pontos chaves de consumo de água em toda cadeia alimentícia é o primeiro passo para atuar diminuindo as pressões sobre as fontes de água e, por outro lado, realizar o uso racional desse recurso. “Para isso, é necessário continuar investigando e difundindo estratégias para incentivar a adoção de práticas e tecnologias para um manejo sustentável da água no país”, afirma.

No Brasil, o setor agropecuário tem sido incentivado a realizar a gestão da água. Medidas simples, mas eficazes, vêm sendo divulgadas para o uso mais eficiente dos recursos hídricos na produção de alimentos agropecuários. Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), deve-se adotar os 5 Rs na produção animal: reduzir o consumo de água, reutilizar os efluentes, recuperar a qualidade da água, reciclar a água em outros usos e reabastecer as fontes de água, preservando as nascentes, por exemplo.

Para Palhares, não existe gestão sem medição do consumo. Para isso, o produtor pode utilizar um hidrômetro. É a forma mais simples e direta para conhecer o consumo. No entanto, não basta ter o hidrômetro, deve-se fazer a leitura para saber quanto está sendo consumido e onde estão os desperdícios para, assim, manejar a água de forma eficiente.

“Além da melhor gestão da água na propriedade, o manejo hídrico é uma importante ferramenta para a preservação e conservação dos recursos naturais. É preciso que o produtor adote em suas rotinas práticas de produção hidricamente corretas para manter-se competitivo e fazer com que a produção agropecuária seja sustentável”, afirma Palhares.

Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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